O Santander elevou a recomendação das ações da TIM (TIMS3) de neutra para outperform, o equivalente à compra, mantendo o preço-alvo em R$ 26 por papel. A decisão, comunicada em relatório assinado pelos analistas Felipe Cheng e Cesar Davanco, surge após uma correção acentuada nos papéis da operadora, que acumularam queda de cerca de 20% nos últimos meses, superando o recuo de 10% registrado pelo Ibovespa no mesmo período.

A mudança de postura reflete a avaliação de que a reação do mercado aos resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) foi desproporcional. Embora o banco reconheça que os números iniciais do ano trouxeram dúvidas sobre a dinâmica de receitas e despesas operacionais, a tese central é que a companhia mantém condições de cumprir seu guidance para 2026, ainda que operando na faixa inferior das metas estabelecidas.

Otimismo com o fluxo de caixa

Um dos pilares que sustenta a visão positiva do Santander sobre a TIM reside na atratividade da avaliação atual da empresa. Pelas estimativas do banco, a operadora negocia com um retorno de fluxo de caixa ao acionista (FCFE yield) de aproximadamente 11% e um dividend yield projetado em 10,5% para o fechamento de 2026. Tais métricas são consideradas elevadas para o contexto do setor de telecomunicações brasileiro.

Além da remuneração, os analistas preveem uma normalização das despesas operacionais nos próximos trimestres. A expectativa é de que o impacto negativo observado recentemente em linhas específicas, como rede e interconexão, seja mitigado, permitindo uma melhora nas margens. A estratégia de preços também é vista como um catalisador, com a expectativa de reajustes nos planos pós-pagos após a conclusão da Copa do Mundo, o que poderia sinalizar um ambiente competitivo mais racional.

Vivo como referência de qualidade

Apesar da elevação da recomendação para a TIM, o Santander reforça a preferência pela Vivo (VIVT3) como sua principal aposta no setor de telecomunicações latino-americano. A Vivo mantém a recomendação de compra e um preço-alvo de R$ 42, com a instituição destacando a resiliência operacional da líder de mercado em um cenário macroeconômico que permanece desafiador.

A preferência pela Vivo baseia-se na capacidade da companhia de entregar crescimento real de receita tanto no segmento móvel quanto nos serviços fixos. Adicionalmente, o banco destaca a expectativa de redução gradual da relação entre investimentos e receita (capex/sales), um movimento fundamental para fortalecer a geração de caixa livre nos próximos anos. A possível aceleração na venda de ativos, como imóveis e infraestrutura de cobre, também é vista como um destravador de valor para os acionistas.

Tensões e perspectivas setoriais

O setor de telecomunicações enfrenta um momento de equilíbrio entre a necessidade de manter investimentos robustos em infraestrutura e a pressão dos investidores por retornos via dividendos. O paralelo entre a TIM e a Vivo ilustra essa dualidade: enquanto a primeira oferece um potencial de reprecificação após uma queda acentuada, a segunda se posiciona como um ativo de alta qualidade e previsibilidade, servindo como porto seguro em momentos de maior volatilidade.

Para o mercado, a questão central reside na sustentabilidade do crescimento de receita em um ambiente de alta concorrência. A capacidade das operadoras em repassar custos e manter a disciplina na alocação de capital será o diferencial para a valorização dos papéis ao longo do segundo semestre de 2026. Acompanhar a execução do guidance e a efetiva normalização das margens operacionais da TIM será crucial para validar a tese do Santander.

O que observar daqui em diante

A permanência de taxas de juros e o comportamento do consumo das famílias brasileiras continuarão a ditar o ritmo de adesão aos serviços premium. A possível aceleração da venda de ativos pela Vivo e a concretização dos reajustes de preços no pós-pago da TIM são variáveis que o mercado observará com atenção nos próximos balanços. A divergência entre o potencial de valorização de ambas as teles sugere que o setor ainda oferece oportunidades distintas, dependendo do apetite ao risco do investidor.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times