A penetração do seguro cibernético em pequenas e médias empresas (PMEs) permanece abaixo do desejado, com estimativas apontando para menos de 25% de adesão. Steven Robinson, líder nacional de segurança cibernética da RPS, argumenta que essa baixa adoção se deve, em grande parte, à forma como o produto é comercializado. Tradicionalmente, seguros como os de propriedade, acidentes e responsabilidade civil são apresentados como essenciais, enquanto o seguro cibernético é relegado a um complemento opcional, muitas vezes promovido apenas com base em notícias recentes sobre ataques digitais.
Mudança de Paradigma na Venda
Robinson defende uma transformação no modelo de venda, passando de um sistema de adesão (opt-in) para um de exclusão (opt-out). A ideia é que a cobertura cibernética seja inerentemente incluída nos pacotes de seguros oferecidos às PMEs, cabendo a elas optar por retirá-la, caso assim desejem. Essa abordagem espelha a forma como outros seguros essenciais são apresentados, reconhecendo que a segurança digital não é mais um luxo, mas uma necessidade intrínseca para a operação e continuidade de qualquer negócio na era digital. A simplificação do processo de compra para empresas menores também é vista como um fator crucial para impulsionar a adoção.
IA Amplifica Ameaças e Urgência
A inteligência artificial (IA) emerge como um catalisador para essa mudança. Emily Licitra, vice-presidente sênior de responsabilidade profissional da Arch Insurance, destaca que a IA está sendo utilizada por agentes de ameaças para escalar e sofisticar ataques cibernéticos. Ataques de phishing, ransomware e exploração de vulnerabilidades tornam-se mais rápidos e generalizados. Embora a IA não esteja necessariamente criando novas categorias de crimes cibernéticos, ela amplifica a velocidade e a escala com que as ameaças existentes são executadas. Isso reduz o tempo de resposta para empresas e seguradoras, transformando a segurança cibernética em um componente crítico de continuidade de negócios.
Implicações para o Mercado
A aceleração na identificação de vulnerabilidades críticas pela IA é uma preocupação de longo prazo. O intervalo entre a descoberta de uma falha de segurança e sua exploração está diminuindo, o que exige uma reação mais rápida e eficaz por parte dos defensores e das seguradoras. Esse cenário pode se tornar um problema sistêmico se não for adequadamente gerenciado. Para as PMEs, isso reforça a necessidade de não apenas possuir uma apólice de seguro cibernético, mas de garantir que ela seja abrangente e atualizada para lidar com as ameaças em constante evolução, com a IA adicionando uma nova camada de complexidade e urgência.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





