Serena Williams está fazendo uma jogada estratégica fora das quadras. Sua firma de venture capital, antes conhecida como Serena Ventures, foi rebatizada para Starfire Ventures. A mudança, revelada em uma entrevista ao vivo para o podcast Rapid Response, da Fast Company, não é meramente cosmética: sinaliza uma nova fase de ambição para uma operação que já conta com 16 unicórnios em seu portfólio.

A tese por trás do movimento é construir uma instituição que possa “viver para sempre”, nas palavras da própria Williams, transcendendo sua imagem pessoal. Embora o acrônimo SV permaneça, a intenção é clara: dissociar a performance da gestora do estrelato de sua fundadora, um passo crucial na transição de um family office vitaminado para uma firma de VC institucionalizada, que já capta recursos com investidores externos.

Além da marca pessoal

A estratégia de investimento da Starfire Ventures combina um imperativo moral com o que Williams descreve como uma vantagem competitiva. Cerca de 70% do portfólio da firma é composto por empresas fundadas por mulheres ou pessoas de cor. Segundo Williams, este foco não é filantropia, mas uma consequência de ter “portas abertas” para um fluxo de negócios que a maioria das gestoras do Vale do Silício não acessa. Fundadores desses grupos se sentiriam mais confortáveis em apresentar suas ideias para uma equipe diversa como a sua.

Contudo, o acesso não garante o cheque. Williams é enfática ao afirmar que o critério final é o potencial de retorno. “Estamos investindo apenas em vencedores”, disse ela à Fast Company, citando a necessidade de gerar lucro para seus LPs (limited partners). O unicórnio Esusu, uma fintech que ajuda inquilinos a construir crédito, é citado como o exemplo ideal: uma empresa que gera impacto social e, ao mesmo tempo, entrega resultados financeiros robustos. A Starfire não investe em todos os fundadores sub-representados, mas busca entre eles os que têm potencial para se destacar no mercado geral.

O rebrand para Starfire é, portanto, um ato de amadurecimento. Representa a tentativa de transformar o capital social e a fama de uma celebridade global em uma plataforma de investimento duradoura, cuja tese se sustenta por si só — e não apenas pelo nome na porta.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company