O Starbucks está entrando em um novo território na Espanha. Em uma aliança com a gigante local de laticínios Pascual, a rede de cafeterias passará a oferecer uma opção de leite com adição de proteína em suas bebidas, mirando um consumidor cada vez mais atento à saudabilidade. A parceria foi anunciada como uma forma de “democratizar” o acesso a produtos proteicos fora de casa, segundo reportagem da Forbes España.
A leitura estratégica, no entanto, é mais profunda. O movimento sinaliza uma tentativa do Starbucks de funcionalizar seu principal produto. O café deixa de ser apenas uma bebida social ou um estimulante e passa a se posicionar como um complemento nutricional, disputando uma fatia de um mercado em franca expansão. A aposta é que o cliente que já mistura proteína em pó ao seu café da manhã em casa esteja disposto a pagar mais para ter a mesma conveniência na rua.
Do supermercado para a cafeteria
A lógica por trás da parceria é explícita: transferir um hábito de consumo doméstico para o varejo. Juan Luis González Maroto, diretor geral de laticínios da Pascual, afirmou que o objetivo é fazer com que o consumidor peça um “café com proteína” com a mesma naturalidade com que pede um café com leite. Os números justificam a aposta: o mercado de produtos proteicos na Espanha já fatura €520 milhões, com crescimento de 22%, e está presente em 61% dos lares.
Para o Starbucks, a iniciativa é uma resposta direta ao comportamento de seus clientes. Antonio Romero, diretor geral da rede na Península Ibérica, destacou que mais de 60% dos consumidores já personalizam suas bebidas e que o café da manhã representa 40% do fluxo de clientes. Ao adicionar uma opção proteica, a empresa não apenas amplia seu cardápio, mas ataca uma demanda latente em seu horário de pico, alinhando-se a uma tendência que, segundo ele, “veio para ficar”.
O acordo, por enquanto restrito à Espanha, funciona como um laboratório. Se a tese de que o cafezinho pode ser também um suplemento se provar rentável, o modelo tem potencial para ser replicado em outros mercados onde a cultura fitness e a busca por alimentos funcionais são igualmente fortes — um cenário familiar ao consumidor brasileiro. A questão que fica é até onde as grandes redes de varejo estão dispostas a ir para transformar produtos tradicionais em plataformas de personalização e saúde.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





