A Uber anunciou o desligamento de 23% da sua divisão de Pessoas e Locais, setor que engloba recursos humanos, recrutamento, instalações e cultura organizacional. A medida ocorre poucas semanas após a promoção da executiva Jill Hazelbaker à presidência da empresa, consolidando sua influência ao acumular a supervisão de segurança e operações de RH, além de suas responsabilidades prévias em marketing, políticas públicas e comunicação. Segundo informações da companhia, o impacto total dos cortes representa menos de 1% dos aproximadamente 34 mil colaboradores globais da organização.
Reestruturação e eficiência operacional
Em um memorando interno, Hazelbaker justificou a decisão como uma resposta à complexidade excessiva acumulada durante a fase de expansão acelerada da empresa. A executiva apontou que a estrutura tornou-se fragmentada, com responsabilidades sobrepostas e equipes operando distantes das necessidades reais do negócio. A mudança sinaliza uma tentativa da gestão de Dara Khosrowshahi em otimizar a máquina administrativa sem recorrer a demissões em massa indiscriminadas, preferindo ajustes pontuais que preservam o núcleo operacional da plataforma.
O papel da IA no cenário corporativo
Apesar do contexto de automação que domina o setor de tecnologia, a Uber foi enfática ao desvincular as demissões atuais da adoção de inteligência artificial. A empresa sustenta que mantém mais de 800 vagas abertas, com foco em áreas estratégicas como o desenvolvimento de robotáxis. Embora a companhia tenha admitido anteriormente uma desaceleração no ritmo de contratações devido à integração de ferramentas de IA, a reestruturação no RH é apresentada estritamente como um esforço de simplificação burocrática e alinhamento de lideranças.
Tensões no modelo de trabalho
Além das demissões, a empresa reafirmou sua postura sobre a cultura presencial, exigindo que funcionários de RH que atuavam remotamente retornem ao escritório para cumprir a política de três dias presenciais semanais. Essa diretriz reforça a tentativa da gestão de centralizar o controle e fomentar a colaboração direta, em um momento em que a eficiência de custos se tornou prioridade absoluta para manter a disciplina financeira diante dos investidores de Wall Street.
Perspectivas de mercado e governança
O mercado reagiu com cautela, mas sem pânico, ao anúncio. As ações da Uber mantiveram estabilidade relativa após a notícia, refletindo a percepção de que a empresa segue focada em margens operacionais mais saudáveis. Fica a dúvida se a simplificação liderada por Hazelbaker será suficiente para sustentar a escala da companhia sem prejudicar a retenção de talentos ou a agilidade necessária para enfrentar novos desafios regulatórios e competitivos globais.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Olhar Digital





