O UBS BB elevou o preço-alvo das ações da Braskem (BRKM5) para R$ 10,50, indicando um potencial de valorização de 19,6% frente ao fechamento anterior. A revisão reflete uma perspectiva mais otimista para os spreads petroquímicos, impulsionada por gargalos logísticos globais que restringiram o fornecimento de matérias-primas na Ásia e na Europa.
Segundo relatório dos analistas Tasso Vasconcellos e João Barichello, a mudança no controle acionário, agora sob a influência da IG4 Capital e Petrobras, é vista como um passo necessário para endereçar a liquidez. Apesar disso, o banco manteve a recomendação neutra, destacando que os riscos de execução e a pressão sobre o balanço permanecem como obstáculos relevantes para os investidores.
Dinâmica dos spreads petroquímicos
A recuperação dos spreads é o motor central dessa revisão. O conflito no Oriente Médio tem limitado o fluxo de insumos, o que, na visão do UBS BB, deve sustentar margens mais robustas no curto prazo. Mesmo diante de uma normalização logística, a expectativa é que a capacidade produtiva global não retorne aos níveis mínimos do ciclo tão cedo.
Além do cenário externo, o benefício fiscal do REIQ aparece como um componente estrutural para a melhoria do Ebitda, projetado em US$ 2,6 bilhões para 2026. Esse patamar é fundamental para que a companhia supere seu ponto de equilíbrio operacional, estimado em US$ 1,5 bilhão, aliviando a persistente queima de caixa observada em trimestres recentes.
O novo xadrez societário
A entrada da IG4 Capital, detendo 50,1% das ações com direito a voto, altera o equilíbrio de poder na petroquímica. A Petrobras, com seus 47%, segue como um stakeholder decisivo. O mercado monitora agora se essa nova configuração facilitará uma solução definitiva para a estrutura de capital sem recorrer a medidas que diluam os minoritários.
Os analistas apontam que a busca por uma solução para a Braskem Idesa é crítica. Ativos mexicanos são competitivos, mas a necessidade de capital exige um equilíbrio delicado entre as ambições da Petrobras e a viabilidade financeira da empresa, o que ainda mantém o risco de uma oferta pública de aquisição (OPA) no radar.
Riscos de liquidez e solvência
A posição de caixa da Braskem atingiu o nível mais baixo em duas décadas no primeiro trimestre de 2026, situando-se em US$ 1 bilhão. Esse cenário de escassez de liquidez forçou a companhia a contratar assessores financeiros para otimizar sua estrutura de capital, um processo que se arrasta desde o ano passado.
Embora a empresa tenha negado rumores de calote em bonds, a preocupação com a solvência dita o ritmo das negociações. A gestão da dívida é, hoje, o fator que mais pesa contra uma recomendação de compra, superando a melhora operacional que os spreads trazem para a conta.
Perspectivas e incertezas
O horizonte para a Braskem depende da capacidade da nova gestão em converter a melhoria operacional em fluxo de caixa livre. A incerteza sobre o cronograma de desalavancagem e as possíveis estruturas de refinanciamento continuam a ser as maiores fontes de volatilidade para o papel.
Investidores devem observar de perto os próximos comunicados sobre a reestruturação da dívida e possíveis movimentações da Petrobras. A transição de controle promete uma nova fase, mas o mercado aguarda provas concretas de estabilidade financeira antes de precificar uma recuperação definitiva.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times — Mercados





