O UBS BB elevou a recomendação da Sabesp (SBSP3) de neutra para compra, mantendo o preço-alvo inalterado em R$ 38 por ação. Segundo relatório divulgado pela instituição, o potencial de alta para o papel é de 36%, impulsionado por uma correção de mercado que, na visão dos analistas liderados por Giuliano Ajeje, não reflete a realidade operacional da companhia de saneamento.
A mudança de postura ocorre após a ação acumular uma queda de 20% em relação à máxima atingida em abril. O banco argumenta que o movimento de venda foi motivado primariamente pela saída de capital estrangeiro do mercado brasileiro, e não por uma deterioração nos fundamentos da empresa, o que teria criado uma janela de oportunidade para novos investidores entrarem no ativo.
A tese de valorização e o capex
A leitura do UBS BB é que a Sabesp se encontra em um ciclo de crescimento estrutural sustentado pela execução de investimentos pesados. A estratégia de universalização do saneamento em São Paulo impõe um ritmo de capex que, embora desafiador, é o motor para a expansão da base regulatória de ativos, a chamada RAB líquida. A projeção é que esse montante salte de R$ 88 bilhões em 2024 para R$ 143 bilhões em 2027.
Embora o banco tenha ajustado levemente para baixo suas estimativas de investimentos para os próximos anos — reconhecendo que o início de 2026 foi mais lento do que o planejado —, a análise reforça que os valores continuam expressivos. A meta de alcançar um ritmo de R$ 5 bilhões por trimestre é vista como o gatilho necessário para a reprecificação do ativo no mercado, consolidando a empresa em um patamar operacional superior ao período anterior à privatização.
O impacto dos ruídos eleitorais
Um dos pontos centrais da análise é a desmistificação dos riscos políticos. Com o aumento de especulações sobre possíveis revisões da privatização por candidatos ao governo de São Paulo, o UBS BB buscou tranquilizar o mercado. A avaliação é que uma reversão completa do processo é improvável, dada a complexidade do arcabouço legal e o custo proibitivo de uma eventual recompra de ações.
O banco aponta que o contrato assinado cria direitos adquiridos que seriam difíceis de derrubar sem enfrentar longas batalhas judiciais. Para os analistas, o cenário mais provável, caso haja pressão política, seria a tentativa de mudanças regulatórias marginais, que não teriam força para comprometer a viabilidade econômica do negócio ou a essência da transição para o modelo privado.
Implicações para o ecossistema
A confiança do UBS BB sinaliza que o mercado de capitais começa a separar o ruído político da execução de longo prazo. Para investidores, o foco permanece na capacidade da gestão em manter o cronograma de obras em um ambiente de taxas de juros reais elevadas, onde a TIR de 13,1% calculada pelo banco se torna um diferencial competitivo atraente para o setor de utilidades públicas.
O monitoramento da execução trimestral do capex será o principal indicador de sucesso. Caso a Sabesp consiga acelerar o ritmo de aportes para superar os R$ 5 bilhões trimestrais, a tendência é que a percepção de risco diminua, permitindo que o papel se aproxime do preço-alvo estipulado, independentemente das movimentações no calendário eleitoral paulista.
Perspectivas e incertezas
O que permanece em aberto é a capacidade de entrega operacional diante de um cronograma de investimentos agressivo. O mercado observará de perto os próximos balanços para verificar se a empresa consegue compensar o ritmo mais lento do primeiro trimestre de 2026.
A trajetória da Sabesp nos próximos meses servirá como um teste de resiliência para o modelo de privatização de estatais brasileiras. O sucesso na execução do capex não apenas validará a tese do UBS BB, mas também servirá como parâmetro para outros projetos de infraestrutura que dependem de capital privado e estabilidade regulatória.
O mercado financeiro aguarda os próximos passos da companhia para entender se o desconto atual é temporário ou se novos desafios operacionais podem surgir no horizonte de curto prazo. A execução será o juiz final.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





