A Universidade de Utah está se posicionando na vanguarda de uma nova era para o financiamento do esporte universitário, tornando-se a primeira instituição do país a firmar um acordo com uma firma de private equity (PE). A universidade desmembrou ativos-chave em uma nova entidade com fins lucrativos, a Crimson Brand Partners (CBP), na qual o fundo de PE Otro Capital injetou capital em troca de uma participação acionária.

A iniciativa surge em um momento de grande visibilidade para o futebol americano no estado. Com duas potências da Big 12, a região tornou-se um polo de atenção, evidenciado pela recente partida entre No. 10 Utah e No. 14 Houston, e pela alta audiência do programa "College GameDay" da ESPN em um evento na vizinha BYU. A nova entidade, CBP, visa capitalizar esse momento ao assumir a gestão das operações comerciais de todo o departamento atlético e da universidade. Embora os termos financeiros completos e a duração do acordo não sejam públicos, espera-se que a empreitada gere receitas na casa das centenas de milhões de dólares.

O Modelo de Negócios da Crimson Brand Partners

A CBP, liderada pelo CEO Mark Webb, um executivo experiente do mundo esportivo e ex-vice-presidente corporativo de equipes como os Saints e os Pelicans, gerencia agora todas as operações comerciais de Utah. Isso inclui eventos não esportivos em estádios e arenas, merchandising, licenciamento, patrocínios, bilheteria e mídia digital. O diretor atlético de Utah, Mark Harlan, que também preside a CBP, descreveu a iniciativa como uma "jornada de múltiplos anos", onde a universidade está disposta a experimentar novas estratégias. "Estamos testando coisas no futebol, e logo veremos isso no basquete", disse Harlan. "Algumas coisas funcionam, outras não. É assim que se faz."

A universidade aprovou recentemente um projeto de renovação de US$ 40 milhões para o Rice-Eccles Stadium, financiado pela CBP. Harlan destacou que a equipe da CBP é composta majoritariamente por profissionais com experiência na NFL, NBA e MLB, e que a qualidade e a quantidade de negócios fechados já demonstram um "grande impulso". Essa estrutura permite que a universidade busque inovações e investimentos que antes eram limitados pelas restrições orçamentárias tradicionais do esporte universitário.

Desafios e Críticas à Nova Estratégia

Nem todos compartilham do otimismo em relação à estratégia de private equity no esporte universitário. Dave Checketts, ex-executivo da NBA e ex-aluno de Utah, expressou preocupação em maio, afirmando que a universidade "vendeu seu futuro" ao alienar seu programa esportivo em troca de instalações mais modernas. Essa crítica aponta para o risco de que a busca por capital imediato possa comprometer a sustentabilidade a longo prazo e a identidade do programa esportivo.

Enquanto Utah se beneficia de um fluxo de caixa potencialmente significativo, a questão de como esse capital impactará os atletas em termos de acordos de "name, image, and likeness" (NIL) permanece em aberto. A universidade já está gastando o máximo permitido em compartilhamento de receita com os jogadores, próximo a US$ 22 milhões anuais, conforme o acordo House v. NCAA. No entanto, a extensão em que os astros do futebol de Utah estão lucrando com acordos NIL separados, em adição aos fundos gerados pela CBP, não é clara.

O Futuro do Capital Privado no Esporte Universitário

Embora a liderança de Utah esteja confiante em seu acordo com a Otro Capital, o capital de PE ainda não se tornou uma prática comum na maioria dos programas esportivos universitários. A Big 12 lançou uma parceria de private equity com a RedBird Capital Partners e a Weatherford Capital, oferecendo aos seus 16 membros uma linha de crédito de até US$ 30 milhões, mas nenhuma escola aceitou essa oferta até o momento. Discussões anteriores entre a Big Ten e a UC Investments sobre a venda de uma participação acionária na conferência também não se concretizaram. A American Conference, por outro lado, permanece aberta a explorar opções de PE.

O movimento de Utah, no entanto, pode servir de precedente. A capacidade de gerar receita de forma mais agressiva e diversificada pode se tornar um diferencial competitivo crucial, especialmente em um cenário onde os custos operacionais e as demandas dos atletas continuam a crescer. A universidade está, de fato, experimentando com o futuro do financiamento esportivo universitário, e os resultados de suas iniciativas com a CBP serão observados de perto por outras instituições.

Perguntas em Aberto e Perspectivas

O acordo entre Utah e Otro Capital levanta questões importantes sobre o equilíbrio entre a busca por maximização de receitas e a preservação da integridade e dos valores do esporte universitário. A estrutura de propriedade e gestão da CBP, com participação de fundos de PE, introduz uma dinâmica de mercado que pode, ou não, alinhar-se com os objetivos acadêmicos e esportivos de longo prazo da universidade.

Será crucial acompanhar como a gestão da CBP evoluirá, quais tipos de parcerias serão firmados e como esses acordos impactarão a experiência dos estudantes-atletas e a relação com os torcedores. A capacidade da universidade de manter o controle sobre sua marca e operações, ao mesmo tempo em que se beneficia do capital e da expertise externa, será um fator determinante para o sucesso deste modelo pioneiro. A experiência de Utah como "cobaia" no uso de PE no futebol universitário está apenas começando, e suas lições moldarão o futuro do financiamento esportivo nas universidades.

Source · Front Office Sports