A Vale (VALE3) continua sendo a principal aposta do Bradesco BBI no setor de mineração e siderurgia, ignorando o recente recuo nos preços globais do minério de ferro. A commodity, que fechou a semana cotada a US$ 108 por tonelada após uma queda de US$ 4, reflete a crescente preocupação do mercado com o ritmo da economia chinesa.

Segundo reportagem do Money Times, a frustração com os indicadores de abril na China é o principal vetor dessa volatilidade. O país registrou contração no investimento em ativos fixos e um desempenho fraco nas vendas no varejo, o pior desde o final de 2022, enquanto a produção industrial atingiu seu menor crescimento anual desde agosto de 2023.

Fundamentos do setor em meio à incerteza

Apesar dos dados macroeconômicos desfavoráveis, a análise do Bradesco BBI aponta que os fundamentos operacionais do setor permanecem sólidos. O banco destaca que a utilização dos altos-fornos na China mantém-se próxima de 90%, indicando que a atividade industrial, embora desacelerada, não colapsou.

Além disso, a rentabilidade das usinas siderúrgicas chinesas apresentou melhora, com 64% das unidades operando no azul. Esse cenário é acompanhado por uma redução consistente nos estoques de aço e minério ao longo da cadeia produtiva, o que sugere um reequilíbrio natural entre oferta e demanda nos portos chineses, onde os estoques caíram pela sexta semana consecutiva.

A vantagem competitiva do minério premium

A tese de investimento na Vale baseia-se na qualidade superior de seu produto. Em um mercado onde as siderúrgicas buscam eficiência operacional, a demanda por minério de alto teor torna-se um diferencial crítico, favorecendo empresas com portfólio como o da mineradora brasileira.

O Bradesco BBI observa que o aumento nos custos de carvão e fretes tende a ampliar os prêmios pagos por minério de maior qualidade. Essa dinâmica isola, em certa medida, a Vale das flutuações mais severas do preço spot, garantindo margens mais protegidas mesmo em períodos de incerteza econômica global.

Tensões no mercado siderúrgico brasileiro

Enquanto a Vale mantém sua posição de destaque, o cenário para as siderúrgicas domésticas é descrito como mais complexo. As companhias enfrentam o desafio de repassar a alta nos custos energéticos em um mercado interno com menor disponibilidade de aço importado, o que pressiona as margens operacionais.

Para o banco, o mercado já precificou grande parte da melhora operacional recente das siderúrgicas locais. Isso limita o potencial de valorização das ações no curto prazo, contrastando com a resiliência estrutural da Vale diante das pressões externas.

Perspectivas e monitoramento de mercado

O que permanece incerto é a capacidade da China de retomar o ímpeto dos investimentos em infraestrutura nos próximos trimestres. A dependência do setor de mineração em relação às políticas de estímulo de Pequim continua sendo um fator de risco estrutural que exige atenção constante de investidores e reguladores.

O monitoramento dos níveis de estoques nos portos chineses e a evolução da rentabilidade das siderúrgicas globais serão os principais indicadores para medir a sustentabilidade dessa tese de investimento. A volatilidade dos preços da commodity deve persistir enquanto os dados econômicos chineses não sinalizarem uma estabilização clara.

O mercado aguarda agora por novos sinais de estímulo vindos de Pequim, que poderão ditar o ritmo da demanda por minério de ferro para o restante do ano. A posição da Vale, ancorada em sua eficiência, segue como um termômetro essencial para avaliar a saúde do setor e os impactos da economia chinesa no Brasil.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times