O cenário das telecomunicações na Europa enfrenta um chamado urgente por consolidação, segundo Jesús Suso, diretor geral da Vodafone Empresas. Em sua visão, a fragmentação atual impede a criação de empresas "potentes" e "realmente relevantes" em escala global. A sugestão é clara: a união de operadoras é o caminho para construir players mais fortes e competitivos, capazes de competir em um mercado cada vez mais dinâmico e desafiador.
O Custo da Defesa na Era da IA
Paralelamente à necessidade de fusões e aquisições, Suso lançou um alerta sobre os crescentes riscos impostos pela inteligência artificial. Ele destacou que, enquanto os ataques cibernéticos baseados em IA se tornam "relativamente baratos, praticamente grátis, para atacar", o custo para se defender dessas ameaças não acompanhou essa redução. Essa disparidade eleva a vulnerabilidade das empresas, tornando a resiliência e a capacidade de recuperação pontos cruciais para a sobrevivência no ambiente digital.
Soberania Digital e a Importância das Redes
O executivo também ressaltou a relevância da soberania digital e da segurança de dados, especialmente na Espanha. Ele enfatizou que empresas que operam com outras organizações devem ser "muito sensíveis a como conectam seus diferentes organismos". Para Suso, a soberania digital espanhola deve incentivar a criação de empresas com data centers locais, operados no país, garantindo assim a máxima resiliência possível. As redes, por sua vez, foram definidas como "o coração da economia digital", com o tráfego de dados crescendo exponencialmente – o consumo de gigas móveis multiplicou-se por quatro ou cinco nos últimos cinco anos, enquanto o consumo de energia cresceu apenas 2% a 3% no mesmo período. Esse cenário exige um controle rigoroso sobre as redes e os dados que transitam por elas.
Riscos em Infraestruturas Conectadas e a Necessidade de Consciência
A superfície de exposição a ciberataques aumentou consideravelmente com a dispersão de funcionários e o avanço do Internet das Coisas (IoT). "Hoje a empresa mudou o âmbito: antes a empresa era nos escritórios e hoje a empresa está em qualquer parte do mundo", alertou Suso. Ele citou o exemplo de um ciberataque a supermercados na França, onde atacantes exploraram frigoríficos conectados à rede, levando mais de um dia para que a invasão fosse detectada, com temperaturas internas atingindo 50 graus. Essa complexidade e a facilidade de ataque demandam não apenas tecnologia, mas também uma forte conscientização das pessoas e empresas sobre os riscos e a importância de protocolos de resposta e resiliência produtiva.
O Futuro e as Perguntas em Aberto
A discussão sobre consolidação no setor de telecomunicações europeu e a corrida contra a IA levanta questões importantes sobre o futuro da infraestrutura digital. Será que a Europa conseguirá superar suas barreiras regulatórias e culturais para promover a união necessária? Como as empresas podem equilibrar o investimento em defesa cibernética com os custos operacionais, especialmente diante de ameaças cada vez mais sofisticadas e baratas? A resposta a essas perguntas definirá a capacidade do continente de manter sua relevância e segurança na economia digital global.
A urgência em consolidar o setor europeu e a necessidade de fortalecer as defesas contra a IA são desafios interligados que exigirão visão estratégica e ação coordenada. A fragilidade atual pode ser um convite à ação, mas a inércia pode custar caro.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





