Em novembro, os eleitores de Washington terão uma decisão crucial sobre o futuro econômico do estado. A Iniciativa 645, que estará na cédula, propõe a revogação do novo imposto de renda estadual, implementado recentemente pelos legisladores. A medida, que incide sobre a renda familiar acima de US$ 1 milhão, é vista por seus defensores como uma forma de taxar os mais ricos. No entanto, críticos, como o capitalista de risco Matt McIlwain da Madrona, argumentam que a legislação foi redigida com potencial para expansão e que já está provocando a saída de residentes e empresas.

O argumento da expansão e da instabilidade

A principal preocupação levantada por opositores é que o imposto de renda estadual, embora inicialmente direcionado a indivíduos de alta renda, possui brechas que podem permitir sua ampliação futura. Um dos pontos mais criticados é a inclusão da tributação sobre aposentadorias, revertendo um compromisso anterior do estado de não taxar esses rendimentos. A leitura aqui é que a inclusão inicial de pensionistas, mesmo que não paguem o imposto agora, serve como um precedente para futuras extensões. Além disso, o fato de a legislatura ter votado duas vezes sobre o imposto — uma para aprovar e outra para garantir a possibilidade de expansão — reforça a tese de que a intenção é, eventualmente, tributar uma parcela maior da população. Essa percepção de instabilidade tributária já estaria impactando o estado, com relatos de que contribuintes e empresas estariam considerando ou já efetivando sua mudança para outros locais.

Evidências de êxodo e gastos descontrolados

Os sinais de alerta sobre a fuga de talentos e empresas não se limitam a especulações. Dados da Receita Federal americana (IRS) já indicam uma tendência de saída de residentes de alta renda de estados com tributação elevada, e Washington estaria se destacando nesse cenário. Uma pesquisa da Association of Washington Business revelou que quase um quarto dos empregadores do estado considera a realocação, um aumento significativo em relação ao ano anterior. O caso da Starbucks, que moveu parte de sua força de trabalho corporativa para Nashville, é citado como um exemplo das consequências de um clima fiscal hostil. Paralelamente, ex-governadores democratas do estado, como Christine Gregoire e Gary Locke, alertaram sobre um "problema de gastos" em Olympia, com o orçamento estadual mais do que dobrando desde que deixaram o cargo. A aprovação de um pacote de gastos de US$ 9,3 bilhões em 2025, seguido por mais US$ 2,3 bilhões em 2026, sem cortes fiscais correspondentes, alimenta o temor de que os legisladores buscam aumentar a arrecadação continuamente, independentemente da capacidade dos cidadãos e empresas.

Impactos de longo prazo para o estado

As consequências da nova política fiscal vão além do bolso dos contribuintes diretos. Para os criadores de empregos e oportunidades de trabalho, a tendência de saída de empresas representa uma perda de postos de trabalho e um freio no desenvolvimento econômico. O desemprego no estado, que paira perto de 5%, reflete essa dificuldade. Para aqueles que buscam evitar o imposto, a efetivação da saída requer um rompimento drástico com o estado, incluindo a permanência por menos de 30 dias anuais e a venda de imóveis. Isso se reflete no aumento de 27% nas listagens de imóveis em diversas partes de Washington. Organizações sem fins lucrativos também enfrentam incertezas, pois consultores financeiros já orientam clientes a cessar doações para entidades sediadas em Washington como parte do processo de desvinculação fiscal.

A decisão dos eleitores e o futuro competitivo

A história recente de Washington em relação a impostos de renda é marcada pela rejeição da Proposta 1-1098 em 2010, que foi vetada por 64% dos eleitores. Na época, grandes empresas como Microsoft, Boeing e Expedia, além de fundadores de gigantes como Amazon e T-Mobile, apoiaram o "não". A economia do estado cresceu significativamente desde então, permitindo um aumento substancial no orçamento sem a necessidade de um imposto de renda. A decisão de agora, via Iniciativa 645, colocará novamente nas mãos dos eleitores a responsabilidade de definir o caminho competitivo do estado. A expectativa é que a votação envie uma mensagem clara aos políticos sobre a importância de um ambiente fiscal estável e propício aos negócios para garantir a prosperidade de Washington nas próximas gerações.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · GeekWire