As ações da XP Inc recuaram cerca de 4% na Nasdaq após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026. A companhia reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,318 bilhão, representando um avanço anual de 7%, mas uma retração de 1% em comparação ao trimestre imediatamente anterior.

O desempenho financeiro foi acompanhado pelo anúncio de uma transição na diretoria financeira. Victor Mansur deixa o posto de CFO, dando lugar a Gustavo Alejo, ex-executivo do Santander Brasil. A mudança ocorre em um momento em que a XP busca navegar por um ambiente macroeconômico de maior incerteza e volatilidade nos mercados de capitais.

O impacto dos spreads de crédito

A frustração do mercado com o balanço, segundo analistas do Banco Safra, decorre de um resultado considerado fraco no core business. A alíquota efetiva de imposto, que atingiu 9,9% ante uma expectativa de 7,2%, pressionou o lucro líquido. Além disso, a receita de renda fixa ficou 15% abaixo das estimativas, fortemente impactada pela abertura dos spreads de crédito observada em março.

O BTG Pactual reforçou que o trimestre, que havia começado com um momentum positivo, perdeu tração no final do período. O impacto negativo de marcação a mercado sobre posições de crédito em carteira foi o principal fator para que indicadores como receita líquida e EBT viessem cerca de 3% abaixo do consenso de mercado.

Desafios operacionais e competitividade

Para o Bradesco BBI, o resultado reflete um cenário desafiador no curto prazo. A compressão de margens observada pela XP é interpretada como um sinal de um ambiente mais competitivo e de custos elevados. A desaceleração na captação líquida, especialmente no segmento corporate, adiciona uma camada de incerteza quanto à visibilidade de crescimento de ativos recorrentes.

Embora a empresa mantenha fundamentos estruturais sólidos, como a diversificação de receitas e a elevada capitalização, o posicionamento da margem EBT no piso do guidance limita o espaço para revisões positivas nas expectativas de curto prazo. A normalização dessa atividade deve exigir uma retomada mais consistente do mercado de capitais brasileiro.

Perspectivas para a gestão e o mercado

A sucessão na diretoria financeira é vista por analistas como um movimento potencialmente positivo para a expansão das operações de atacado e crédito. A experiência bancária de Gustavo Alejo pode ser um diferencial estratégico para a XP, à medida que a companhia tenta diversificar sua base de atuação além do varejo tradicional.

O mercado agora aguarda a convergência para projeções de lucro líquido entre R$ 5,5 bilhões e R$ 5,6 bilhões para o acumulado de 2026. A capacidade da XP em controlar despesas enquanto enfrenta a pressão nas receitas será o principal indicador a ser monitorado pelos investidores nos próximos trimestres.

O futuro da tese de investimento

Apesar da desvalorização recente, instituições como o Bradesco BBI e o BTG Pactual mantêm recomendações de compra, citando um valuation atrativo e a resiliência estrutural da plataforma. A tese de investimento, contudo, permanece fortemente atrelada a condições macroeconômicas mais favoráveis.

O investidor deve observar se a XP conseguirá recuperar o fôlego operacional no segundo semestre, período em que se espera a normalização dos spreads e uma atividade mais robusta no mercado de capitais. A transição de liderança financeira será um teste crucial para a execução da estratégia da companhia.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times — Mercados