Chegou-me por via de um mercador um relato estranho, um despacho de tempos vindouros, que fala de uma casa de comércio chamada Milani. De Milão, talvez? O nome me é familiar, mas a sua arte é outra: não a de fundir bronze ou pintar a alma, mas a de vender 'cosmetici', artifícios para a beleza do rosto. Descrevem um sucesso medido em dezenove 'trimestres', um ritmo de prosperidade que desconhece as estações e os humores da fortuna. Como pode um crescimento ser tão constante, como a vazão de um canal que eu mesmo projetasse, sem sofrer com as secas do estio ou as cheias do inverno? A mestra desta oficina, uma Dama Mary van Praag, uma 'CEO' — talvez a mestra da guilda ou uma nova espécie de condottiera mercantil —, parece ter decifrado um mecanismo. Dizem que sua força reside em 'colaborações', alianças, o que é a base de toda política e engenharia. E em ler as 'tendências de consumo', ou seja, em observar com acuidade os desejos que movem a multidão, tal como observo o voo das aves para entender os ventos. A maior arte, contudo, parece ser a de oferecer 'qualidade a preços acessíveis'. Eis um problema de engenho que me apraz: criar o sublime com materiais comuns, multiplicar a beleza através de um método engenhoso, como a prensa multiplica as palavras. Pergunto-me: que beleza é essa, que se aplica e se retira? A pintura busca a verdade perene da alma, que se revela no movimento dos músculos sob a pele. Esses pós e unguentos seriam uma nova camada, um novo véu sobre a anatomia das paixões? Ou teriam eles, enfim, transformado a própria vaidade numa ciência exata, numa aritmética cujo resultado é sempre o lucro? É preciso dissecar este fenômeno: a mecânica do desejo do povo, o fluxo do dinheiro, a anatomia de um comércio que parece ter domado a própria sorte.
business · 13 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

A estratégia da Milani para 19 trimestres de crescimento no competitivo mercado de beleza

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