Chega-me aos ouvidos um rumor estranho, um despacho de tempos vindouros sobre terras ignotas — um Brasil, uma China, uns Estados Americanos — e seus príncipes. O líder desta terra brasileira, um tal de Lula, parece pregar uma nova forma de contenda, trocando o campo de batalha, o ringue, pelo meu próprio domínio: o laboratório, o estudo. Que ideia notável! Abdicar da força bruta dos mercenários e dos canhões pela potência silenciosa da scienza e da tecnologia. Sempre sustentei que o conhecimento é a mais nobre das forças. Um duque que compreende a hidráulica para mover seus rios e irrigar seus campos possui mais poder verdadeiro que aquele que apenas sabe dispor seus soldados para a matança. A arte da guerra é uma ciência, sim, mas uma ciência menor se desprovida da compreensão dos mecanismos mais profundos do mundo. O corpo político, como o corpo humano, não prospera só pela força de seus músculos — os exércitos —, mas pela acuidade de seu cérebro e pela eficiência de suas veias e artérias, que levam o nutrimento da sabedoria a todas as partes. O que seria essa “pesquisa e desenvolvimento” de que fala o despacho? Seriam novas máquinas para domar os ventos, como as que desenho para o voo dos homens? Seria o entendimento da luz para criar pinturas que respiram, ou o estudo minucioso dos cadáveres para desvendar os motores da vida e da morte? Talvez seja uma forma de governar que imita a harmonia dos movimentos celestes, uma mecânica social. Este príncipe do futuro, se o rumor for verídico, compreende o que Ludovico e outros por vezes esquecem: a verdadeira hegemonia não se conquista com o ferro, mas com o engenho. A supremacia duradoura nasce da observação atenta, do desenho preciso, da experimentação incansável. O laboratório é o verdadeiro campo de Marte do homem que pensa. A força que move a água, que tensiona o arco e que anima o coração é a mesma que deve animar o Estado: uma força compreendida, não cega. A mais alta forma de poder é a inteligência aplicada.
Política · 29 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Lula troca o ringue pelo laboratório na disputa com China e EUA

Ler matéria completa →Fonte: Money Times