Recebi um sussurro estranho, um despacho de um tempo que não é o meu, sobre uma tal 'Geração Z' e sua arte do 'Moneymaxxing'. O nome soa bárbaro, mas a ideia, reconheço-a. A frugalidade, a gestão do pecúlio... É a mesma disciplina que aplico ao misturar meus pigmentos para que não se desperdice o custoso lápis-lazúli, ou ao calcular a força necessária para mover uma alavanca. A necessidade sempre foi a mestra da invenção e do método. Estes jovens, diz o papel, adiam seus planos. Ora, vejo o mesmo nos meus aprendizes, que sonham com suas próprias oficinas mas mal podem custear o pão e o vinho. O que me espanta é a forma como esta prática se espalha, como um rumor por uma 'rede social'. Imagino se seria uma teia invisível como as que conectam os músculos aos ossos, transmitindo ordens instantâneas por todo o corpo do Estado. O fluxo do dinheiro é como o da água. Deve ser estudado, canalizado. Um rio sem controle inunda e destrói; um rio represado em excesso estagna e morre. A arte deste 'Moneymaxxing' parece ser a de construir diques e aquedutos para a própria vida. Mas o despacho adverte contra os extremos. Com razão. A parcimônia levada ao excesso é avareza, uma secura da alma que impede o sangue de nutrir o espírito. O corpo humano, para ser perfeito, exige proporção em todas as suas partes; assim também a vida. De que vale acumular florins se a mão que os guarda se fecha para a beleza, para o conhecimento, para a criação de uma máquina voadora ou para o semblante de uma Madona? A verdadeira maestria não está em apenas guardar a moeda, mas em investi-la com a mesma sabedoria com que um pintor aplica a luz para revelar a forma. A questão, para esta 'Geração Z' como para todas as outras, não é apenas como maximizar o dinheiro, mas para qual propósito nobre ele será empregado. Que rios desviarão? É uma questão de engenharia, e também de alma.
Finanças · 18 de ago. de 2026
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