Este despacho me chega como o eco de um sino que ainda não foi forjado, um rumor sobre uma tal *donna* Sandberg e uma guilda chamada Meta. Nomes estranhos, mas a questão que levantam é antiga como as pedras de Florença. Dizem que as mulheres, por falta de amparo, abandonam a busca por postos de comando. E por que me espantaria? O erro está em perscrutar a alma da mulher, e não a arquitetura da estrutura que a contém. É como em meus estudos de hidráulica. A água não tem ambição própria, senão a de seguir seu curso. É o engenho do homem que a canaliza, que constrói diques e aquedutos para que sua força mova moinhos e irrigue campos. Se o canal é malfeito, raso ou cheio de obstáculos, a água transborda, perde o ímpeto, torna-se pântano. Devemos culpar a água por não chegar a seu destino? Assim é com estas 'empresas'. Se sua mecânica não provê o suporte, o contrapeso e o caminho livre, o mais fino talento se dissipa. A culpa não é da peça que falha, mas do artífice que a desenhou sem compreender as forças que sobre ela atuariam. Estudei a anatomia de homens e mulheres, as articulações dos pássaros, a tensão nas cordas de uma besta. Em tudo, a função segue a forma. Uma estrutura que exclui metade da humanidade de seus postos mais altos não é apenas injusta; é ineficiente. É um corpo que tenta andar com uma perna só, uma máquina mal concebida, fadada a ranger e a quebrar. Devo anotar para meus estudos sobre o voo: a asa precisa de cada pena, e cada pena deve estar no seu lugar, sustentada pela estrutura maior. A questão não é se a pena deseja voar, mas se a asa foi construída para o céu.
Liderança · 19 de set. de 2026
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