Recebo de Paris, onde o ar ainda guarda o eco do voo do 14-bis, um despacho de tempos vindouros. A linguagem é cifrada, quase mística, e me chega como um rumor de oficina, um segredo de engenheiros de um século que não é o meu. Falam de 'ambientes gráficos', de um tal 'Plasma'. Imagino se seria uma nova forma de cartografar o mundo, uma tela onde se projeta não a terra, mas os próprios sonhos. Abandonam um caminho, o 'X11', por outro, o 'Wayland'. Quantas vezes eu mesmo não abandonei um desenho, uma estrutura, em busca de uma solução mais elegante, mais verdadeira para o desafio de vencer o ar? Este desapego pelo antigo em nome do progresso me é familiar. O que mais me espanta, contudo, é a notícia de que estes homens do futuro, em seu apogeu, celebram o passado. Recriam uma 'estética retrô'. É uma revelação enternecedora. Mesmo em 2026, com tecnologias que me são insondáveis, a alma humana busca o conforto da memória. Estando eu aqui, em meio à agitação europeia, meu pensamento voa tantas vezes para a vastidão serena de Cabangu. Parece que a nostalgia é uma força tão perene quanto a da gravidade. Essa melancolia futurista me inquieta. O céu que revelei ao mundo, eu o quis um território comum, uma via para unir os povos, sem as fronteiras que desfiguram os mapas. É o meu maior anseio e também o meu mais profundo temor. Que o avião não se torne uma arma para traçar novas linhas de ódio no ar. E quanto a esses 'ambientes' e a esse novo caminho, 'Wayland', rogo para que sirvam a este mesmo ideal. Que sejam espaços de liberdade, não cidadelas digitais. Que não repitam, no invisível, os erros que tanto lutamos para apagar da terra.
Filosofia · 30 de set. de 2026

Ensaio sobre a notícia

KDE Plasma 6.8 abandona X11 e celebra 30 anos com visual retrô

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