Chegou-me às mãos, por via que não compreendo, um despacho de um tempo futuro, o qual descreve um homem chamado Elon Musk e sua 'Boring Company'. O nome soa bárbaro, mas a sua arte é a de perfurar a terra com túneis. Não para a guerra ou para desviar rios, como tenho projetado para os Sforza, mas para o transporte de gentes e coisas, em uma escala que desafia a imaginação. A ideia me assalta com força: a Terra tratada como um grande corpo, cujas veias e artérias podem ser abertas pelo engenho humano para permitir a circulação. O movimento é a causa de toda a vida. O sangue que nutre os membros, a água que corre para o mar, o vento que move minhas máquinas voadoras. Por que não o homem, movendo-se pelas entranhas do mundo? Este é um belo problema de hidráulica e mecânica. A mesma alma que rege o fluxo da água num canal rege o movimento de um povo num túnel. O que mais me perturba, no entanto, é a cifra mencionada, um valor em ouro que ultrapassaria os tesouros de todos os príncipes da cristandade, apostado não na obra pronta, mas na promessa de sua 'viabilidade'. É uma fé na própria ideia, na potência da máquina. Este Musk, seja quem for, parece entender que a arte e a técnica são uma só disciplina. Enquanto ele olha para baixo, para a rocha e a argila, eu continuo a olhar para cima, para o voo dos pássaros. O ar e a terra opõem resistências distintas, mas os princípios do movimento são universais. A forma de uma asa e a ponta de uma broca nascem da mesma investigação sobre a natureza. Anotar: investigar a força necessária para romper diferentes estratos de pedra. Desenhar a anatomia de uma cidade com canais subterrâneos. Compreender o atrito.
tech · 26 de jul. de 2026

Ensaio sobre a notícia

Boring Company, de Elon Musk, estaria negociando aporte a valuation de US$ 20 bilhões

Ler matéria completa →Fonte: TechCrunch