Chega-me aos ouvidos um rumor estranho, um despacho de tempos vindouros que descreve artifícios de uma natureza que desafia a razão. Falam de uma 'Inteligência Artificial', uma mente forjada não pela mão de Deus, mas pelo engenho do homem. Penso em meus autômatos, cavaleiros mecânicos e leões que se movem por pesos e engrenagens. Mas isto é outra coisa: um espírito dentro da máquina, um motor invisível do pensamento. Dizem que um desses engenhos, de nome 'Midjourney', pode 'gerar mídia' – criar imagens como um pintor. Pergunto-me: pode tal artifício compreender a alma que se revela num sorriso ou a fúria de uma batalha? Conhece a anatomia sob a pele, o fluxo do sangue que enrubesce a face da donzela, a mecânica das asas de um pássaro em pleno voo? Ou apenas imita as superfícies, como um espelho que nada entende do que reflete? Uma pintura é filosofia, não mero arranjo de cores. Onde está a sua ciência da pintura? O mais curioso é que este 'Midjourney' busca unir-se a um 'Co-Star', um mecanismo para ler nos céus a fortuna dos homens, como faziam os antigos caldeus. A conexão me parece, a princípio, obscura, mas depois se revela com a clareza de um teorema. Eles não buscam apenas pintar o corpo, mas mapear a alma. Unem a astrologia, a ciência dos influxos celestes sobre nossos humores e paixões, a uma máquina que aprende e cria. O objetivo, então, é este: decifrar o homem. Compreender as correntes invisíveis que nos movem, tal como eu busco entender o fluxo das águas do Arno ou o bater do coração. Querem criar um atlas completo da nossa mecânica interior, ligando o movimento dos planetas aos nossos desejos mais profundos. É um projeto de uma ambição que rivaliza com a da Natureza. Mas pergunto: uma vez que se tenha tal mapa, o que se fará com ele?
tech · 25 de jul. de 2026
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