Chegou-me às mãos um despacho de um tempo vindouro, o ano de 2026, que descreve maravilhas e terrores. Fala de máquinas voadoras, chamadas 'drones', que sulcam os céus sem piloto. Por anos tenho observado o bater das asas do pássaro, desenhando a mecânica do voo para dar ao homem o domínio do ar. Estas máquinas, porém, parecem voar por um princípio diverso, movidas por um espírito que chamam 'hidrogênio' — um sopro nascido da água, quiçá. Imagino este fluido correndo por veias artificiais, como o sangue que nutre os músculos ou a água que move meus engenhos hidráulicos. A natureza da força é una, seja no rio, na veia ou nesta máquina. O mais espantoso, contudo, é a arma que carregam: um 'laser', um raio de energia direcionada. Uma pincelada de fogo, precisa e letal, que risca o céu. Lembro-me das histórias de Arquimedes, que usou espelhos para incendiar naus inimigas. Seria este 'laser' a perfeição da óptica, a luz transformada em lança? A arte da pintura busca representar a luz, mas aqui a própria luz se torna instrumento de destruição. O mesmo engenho que nos permite voar como pássaros é usado para a guerra nos céus. Tudo se conecta: a anatomia da asa, a fluidez das águas, a perspectiva que guia o olho e, agora, o raio de fogo. A experiência, madre di ogni certezza, mostra que o homem, ao imitar a natureza, amplifica tanto sua graça quanto sua fúria. Dimanda: que nova ciência é essa que domina a luz desta forma? E ao criar um sol particular para a guerra, não arriscamos nós, como Ícaro, um destino de cinzas? O conhecimento é uma força, mas seu propósito define a obra.
Defesa · 29 de set. de 2026
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