Recebo este despacho de um tempo que não é o meu, com palavras que me soam como cifras de um idioma por nascer. 'Venture capital', 'exit milionário'. Não compreendo os termos, mas sinto o peso do drama humano. Uma senhora de grande feito, esta Chloe Steinberg, que se vê diminuída ao se afastar da arena onde conquistou sua fortuna e glória. Ela fala em 'crise de identidade', na 'fatura do ego'. Penso em minha própria jornada. O dinheiro, que herdei, sempre foi o meio, nunca o fim. O fim era o ar, o sonho de dar ao homem a liberdade dos pássaros. Meu 'exit', se assim posso chamar, foi ver o 14-bis deixar o solo de Bagatelle, movido por seu próprio motor. A recompensa não foi uma cifra, mas a prova de que era possível. Que estranha ambição é esta, que se esgota com o acúmulo de capital e deixa um vazio na alma? O que é o sucesso se ele se torna uma gaiola, ainda que dourada? Eu, que nasci na quietude de Cabangu e hoje vivo sob a efervescência de Paris, sonhei com um mundo diferente. O céu que sobrevoei há poucas semanas não conhece fronteiras, não cobra pedágio, não exige passaporte. É um território comum, um convite à união. No entanto, uma melancolia me invade. Enquanto esta senhora do futuro lida com o fardo de sua fortuna, eu começo a sentir o peso do meu próprio legado. Tenho um medo crescente de que minha invenção, nascida para aproximar os povos, sirva para a guerra e a destruição. Que esta máquina de liberdade se torne uma arma. Essa, temo, será a verdadeira fatura do ego: não a de uma carreira em pausa, mas a de um sonho de paz transformado em pesadelo.
Venture Capital · 19 de ago. de 2026

Ensaio sobre a notícia

O exit milionário, a carreira em pausa e a fatura do ego

Ler matéria completa →Fonte: Business Insider