A Amazon está dobrando sua aposta no Canadá, planejando uma expansão significativa de sua capacidade de fulfillment e da rede de entregas no mesmo dia. Documentos internos da companhia, analisados pelo Business Insider, indicam que a gigante do e-commerce projeta um crescimento percentual no volume de pacotes no Canadá superior ao dos Estados Unidos nos próximos anos.
Este movimento ocorre em um cenário adverso: uma escalada na guerra tarifária entre os EUA e o Canadá. A leitura aqui é que a Amazon se encontra em um complexo ato de equilíbrio — perseguir uma oportunidade de crescimento relevante em um mercado internacional chave enquanto navega por tensões comerciais que já redesenham suas operações e acirram a disputa com concorrentes locais.
A geopolítica no carrinho de compras
A disputa comercial não é uma ameaça teórica; ela já impacta a operação. Um documento de planejamento de março revelou que a Amazon já havia alterado a origem de algumas importações diretas para o Canadá, trocando fornecedores dos EUA pela China "para evitar tarifas". Na época, a empresa avaliava que o risco de uma recessão canadense era "maior que o usual devido à incerteza da política comercial dos EUA". Desde então, o ambiente se deteriorou, com novas tarifas de 50% anunciadas por Washington em julho e medidas retaliatórias de Ottawa, que entrarão em vigor em setembro, afetando categorias como eletrônicos e eletrodomésticos.
Publicamente, a Amazon afirma estar monitorando o cenário para entender potenciais impactos. Contudo, os documentos internos mostram uma empresa que não está apenas observando, mas agindo para mitigar os riscos em sua cadeia de suprimentos. A estratégia sugere uma dissociação pragmática entre a origem dos produtos e o mercado consumidor, uma tática cada vez mais comum entre multinacionais que operam em um cenário de comércio global fragmentado.
A corrida pela última milha
O ímpeto para investir, apesar das barreiras, vem de uma pressão competitiva intensa. Os documentos internos expressam uma preocupação clara: "A Amazon Canadá enfrenta um desafio competitivo crítico à medida que grandes varejistas estão superando nossas capacidades de entrega, colocando o crescimento futuro em risco". A análise cita investimentos de concorrentes como Walmart, Loblaws e Best Buy.
Os números justificam a urgência. Enquanto a Amazon oferecia entrega no mesmo dia para cerca de 54,5% dos assinantes Prime no Canadá, seus rivais conseguiam entregar em duas a quatro horas para algo entre 70% e 85% dos lares canadenses. O plano de expansão, no entanto, não é um cheque em branco. O custo da entrega de última milha no Canadá é estimado em metade do valor nos EUA, o que torna modelos que utilizam parceiros logísticos financeiramente mais atraentes em certas regiões. Essa variável explica por que a empresa descartou a construção de 12 novas estações de entrega convencionais, optando por modelos de menor custo.
O avanço da Amazon no Canadá, portanto, não é apenas uma questão de construir mais galpões. É um cálculo delicado que pondera a ambição de dominar o mercado contra a realidade de custos, a agilidade dos concorrentes e a imprevisibilidade de um tabuleiro geopolítico em constante mudança. A questão que fica é se este investimento calibrado será suficiente para garantir a liderança em um mercado cada vez mais disputado.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





