Um grupo de hackers pró-Rússia reivindicou a autoria do que está sendo chamado de o maior ciberataque da história contra os serviços digitais do governo da Noruega. A ofensiva, que se estendeu por três dias, mirou a Agência Norueguesa de Digitalização (Digdir), responsável pela infraestrutura que permite aos cidadãos acessarem múltiplos serviços públicos com um único login.

O ataque ocorreu dias depois de o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, anunciar em Kiev a doação de mais US$ 9,2 bilhões para a Ucrânia. A conexão não é coincidência. Em um post no Telegram, o grupo de hackers "Server Killers" declarou uma "guerra cibernética" contra a Noruega precisamente por seu apoio a Kiev, segundo reportagem da Fortune. O movimento ilustra o custo crescente do alinhamento geopolítico: o campo de batalha se estende à infraestrutura digital doméstica.

A Guerra Híbrida na Prática

O método utilizado foi um ataque de negação de serviço (DDoS), que consiste em inundar os servidores com um volume massivo de tráfego para torná-los inacessíveis. Embora um porta-voz da Digdir tenha afirmado que os serviços foram mantidos no ar "praticamente o tempo todo", ele admitiu ter sido "o maior ataque que já experienciamos". A resiliência da Noruega foi testada, mas o episódio serve como um alerta para toda a Europa.

Este não é um incidente isolado. Autoridades europeias estão em alerta máximo contra o que descrevem como uma campanha russa de sabotagem e atividades malignas para minar o apoio à Ucrânia. A fonte cita episódios anteriores, como a sabotagem de uma barragem na própria Noruega e ataques a infraestruturas na Dinamarca, todos atribuídos a grupos com ligações com o estado russo. A estratégia parece clara: aumentar o custo doméstico para os países que apoiam o esforço de guerra ucraniano.

O Preço do Alinhamento

Ao assumir a responsabilidade publicamente, os hackers não apenas executam uma operação técnica, mas também uma manobra de informação. O objetivo é instilar medo e incerteza, forçando governos e populações a questionarem o preço de suas alianças. Para cada bilhão enviado a Kiev, quantos recursos precisam ser alocados para proteger a infraestrutura crítica em casa? A Noruega acaba de receber sua fatura.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune