A Moove, startup nigeriana que adquiriu a brasileira Kovi há um ano, acaba de levantar US$ 250 milhões em uma rodada Série C que a avalia em US$ 2,1 bilhões. O capital, vindo de investidores como Mubadala, Woven Capital (da Toyota) e do próprio Uber, não se destina a expandir seu negócio principal de financiamento de veículos para motoristas de aplicativo.
O cheque tem um propósito mais ambicioso: financiar uma guinada estratégica para se tornar a operadora de frotas de carros autônomos da Waymo, a unidade da Alphabet. A leitura aqui é que a Moove está apostando que o verdadeiro valor na era dos robotáxis não estará apenas no software que os guia, mas na complexa infraestrutura física que os mantém rodando. A empresa quer ser, nas palavras de seus executivos, “os data centers para a mobilidade urbana”.
A infraestrutura por trás do autônomo
A tese da Moove, explicitada por seu CEO Ladi Delano, é que toda revolução tecnológica se torna uma corrida por infraestrutura. Para os carros autônomos, isso se traduz em uma malha de centros de operação, estações de recarga, equipes de manutenção e uma camada de software para gerenciar a logística dos veículos. A parceria exclusiva com a Waymo para operar em cidades como Miami, Phoenix e Londres é o primeiro passo para construir esse ecossistema.
Para os acionistas da Kovi, que se tornaram o maior bloco de capital na Moove após a aquisição, o movimento representa uma evolução notável. A Kovi cresceu no Brasil com um modelo asset-light de locação de frotas. Agora, a Moove dobra a aposta em um modelo de capital intensivo, mas focado em um ativo diferente: a infraestrutura operacional que servirá de base para a escala dos veículos autônomos, um mercado que a empresa acredita ser um “caminho sem volta”.
O futuro da mobilidade e o lugar do Brasil
O plano de expansão inicial da Moove se concentra nos Estados Unidos e Reino Unido, epicentros da corrida pelos carros autônomos. A realidade brasileira, segundo Adhemar Milani Neto, fundador da Kovi e hoje conselheiro da Moove, é mais distante. Ele estima um prazo de cinco a dez anos para a chegada dos robotáxis ao país, citando a complexidade do trânsito e os desafios regulatórios como barreiras significativas.
Isso cria uma dinâmica interessante para a companhia. Enquanto a operação brasileira, que responde por 40% da receita e já atingiu o breakeven, funciona como o motor rentável do presente, a nova frente de carros autônomos é uma aposta de alto risco e queima de caixa para o futuro. A empresa mira um IPO em cinco anos, mas admite que uma nova rodada de captação pode ser necessária para financiar a construção dessa infraestrutura em escala.
A Moove opera agora em duas frentes distintas: um negócio consolidado e lucrativo em mercados emergentes e uma aposta visionária para se tornar a espinha dorsal operacional da mobilidade autônoma. O valuation bilionário reflete a confiança dos investidores de que, se a tese da infraestrutura se provar correta, a empresa estará posicionada para capturar uma fatia substancial de um mercado transformacional.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Brasil Journal Tech





