A província de Almería, no sul da Espanha, será a anfitriã da Adventure Travel World Summit (ATWS) em outubro de 2027. O anúncio, que marca a primeira vez que a Espanha recebe o principal encontro global do setor de turismo de aventura, foi feito durante a edição deste ano em Quebec, Canadá.
O movimento é mais do que uma simples troca de bastão. Ao escolher Almería — uma região conhecida por suas paisagens desérticas e litoral, mas longe do porte de Madrid ou Barcelona —, a Adventure Travel Trade Association (ATTA), organizadora do evento, valida uma tese cada vez mais forte no mercado de turismo: o futuro do crescimento não está na massa, mas no nicho de alto valor. A escolha é um endosso estratégico ao turismo de experiência como motor de desenvolvimento regional.
O novo luxo é a experiência
O turismo de aventura e natureza representa uma das frentes mais sofisticadas da chamada “economia da experiência”. Longe da imagem de esportes radicais para poucos, o segmento hoje abrange um amplo espectro de atividades que conectam o viajante ao ambiente de forma autêntica e, idealmente, sustentável. É um produto que, como destacam os organizadores, combate a sazonalidade e distribui a receita turística para além dos grandes centros, beneficiando economias rurais.
A aposta de Almería é calculada. Segundo reportagem da Forbes España, o impacto econômico direto do evento é estimado em cerca de dois milhões de euros, com um retorno projetado entre cinco e doze milhões de euros nos três anos seguintes. O verdadeiro prêmio, contudo, não está no fluxo de caixa imediato, mas no posicionamento. O evento reunirá cerca de mil profissionais de 50 países — operadores, agências e mídia especializada — que são os verdadeiros influenciadores e distribuidores que colocarão o destino no roteiro global de forma perene.
A geografia como ativo estratégico
Em um mundo onde as grandes cidades se tornam cada vez mais homogêneas, a geografia única de Almería — que combina o único deserto da Europa, litoral mediterrâneo e parques naturais — tornou-se seu principal ativo competitivo. A cúpula de 2027 servirá como um grande showroom para essa oferta, demonstrando que a diferenciação é uma arma poderosa para atrair um público disposto a pagar mais por experiências que não podem ser replicadas em outro lugar.
Para a Espanha, a escolha representa um reconhecimento do potencial do país para além do consolidado modelo de “sol e praia”. Para Almería, é uma oportunidade de se consolidar como uma marca global em turismo ativo e de natureza. A estratégia é menos sobre atrair um milhão de turistas a mais e mais sobre atrair os mil profissionais certos que podem multiplicar o interesse pelo destino nos canais corretos. É uma aula de marketing de nicho em escala global.
O sucesso da aposta de Almería não será medido pela ocupação hoteleira durante os quatro dias do evento em 2027, mas pela sua capacidade de converter essa visibilidade em um ativo econômico e de marca duradouro. O desafio, como sempre em casos assim, será equilibrar o crescimento com a preservação da autenticidade que tornou a região atraente em primeiro lugar.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





