Em meio à agitação cultural de Nova York, a Poster House abrigou, até o último mês de fevereiro, uma exposição que se propôs a ser um marco: "Designed to Be Red". Longe de seguir a ordem cronológica usual em mostras institucionais, a curadoria de Brian Johnson, designer Monacan, optou por uma organização temática que reflete a natureza fluida e interconectada da arte gráfica indígena. "O tempo é uma serpente que engole a própria cauda", reflete Johnson, guiando o visitante por um percurso que abrange dois séculos e mais de 60 tribos e nações, divididos em cinco eixos: Alegria Indígena, Soberania Criativa, Protesto, É Complicado e Marketing Extrativo.

A exposição se desenrola em uma única galeria, permitindo que o público inicie a visita por qualquer extremidade, embora Johnson recomende começar pela seção "Alegria Indígena". Mesmo neste segmento, peças centrais, como as que capturam a efervescência da juventude dos anos 1960, sugerem a persistência de desafios. "O protesto é literalmente a espinha dorsal de toda a galeria", afirma Johnson, que concebeu a mostra em parte para corrigir o registro histórico das artes gráficas, frequentemente marcado pela marginalização de artistas nativos e pela perpetuação de estereótipos na imaginação popular. Filmes e publicidade nos acostumaram a figuras como o "Chefe" desolado, a princesa provocadora e o guerreiro orgulhoso, despojados de individualidade e reduzidos a um linguajar simplificado.

O Desafio da Representação e a Busca por Soberania

O cerne da proposta de Johnson reside na "multiplicidade". "Os nativos americanos e os povos indígenas não são um único cobertor", ele explica. "Temos o direito de falar sobre nós mesmos e de sermos vistos, não como um mito imposto ou tecido na própria trama americana." A exposição reúne artistas como Kent Monkman e Anna Tsouhlarakis, cuja obra "Native Guide Project" ostenta, com a autoridade da tipografia Helvetica Bold, a frase: "Eu realmente gosto da maneira como você respeita os direitos dos nativos americanos". A mostra transcende os limites tradicionais das artes gráficas, como definidas até mesmo pela própria Poster House. Jeffrey Gibson, conhecido por suas colaborações vibrantes, contribui com uma miniatura de zigurate, "Because Once You Enter My House, It Becomes Our House" (2020), inspirada na arquitetura de Cahokia, antiga metrópole nativa.

Essa expansão conceitual levanta questões sobre as fronteiras entre artesanato, arte visual e design. Tony Gonyea apresenta um cinto de wampum em cerâmica, que remete a uma tradição Haudenosaunee do século XVI, enquanto Ella Myers expõe um "Navajo Dye Chart", exibindo 40 plantas e as cores que produzem em lã. "Existe uma parede que se assume ou é imposta entre essas categorias, mas alguém pode ser um tecelão de cestos ou de tapetes e, ao mesmo tempo, engajar-se em design gráfico. Arte e design se fundem em tudo", argumenta Johnson. Essa fusão é um contraponto direto à narrativa dominante na educação artística e de design, que, segundo Johnson, tende a privilegiar a história ocidental, com o Bauhaus e a tipografia suíça como marcos incontestáveis, negligenciando outras tradições e contribuições.

Redefinindo o Conceito de Cartaz e a História do Design

O título "Designed to Be Red" é, em si, uma provocação e um jogo de palavras. "Estou pegando um insulto racial e colocando-o bem na sua cara, mas o trabalho também é feito para ser lido, compreendido, processado e contemplado", explica Johnson. "É como o movimento Red Power ou o American Indian Movement – pegando algo que era muito sagrado para nós e abrindo toda a exposição com um soco." A inclusão de objetos tridimensionais em uma mostra de design gráfico desafia as noções convencionais. Para Johnson, um cartaz no contexto nativo é qualquer coisa que comunique uma mensagem através de tipografia, linguagem visual ou vernácula, destinada à exibição pública. O "Navajo Dye Chart", por exemplo, embora não seja um cartaz impresso, cumpre essa função ao compartilhar conhecimento ancestral.

A história do design, tal como ensinada nas academias, frequentemente ignora ou minimiza as contribuições de povos não europeus. Johnson, que também dirige o estúdio Polymode e fundou a escola BIPOC Design History, dedica-se a resgatar essas narrativas apagadas. A exposição destaca a "Proclamação para a Ocupação Indígena de Alcatraz" (1970), um documento escrito em pele de búfalo, que questiona a convenção de que mensagens públicas devam ser impressas em papel. "Por que precisaríamos de uma grande prensa ligada às costas de um cavalo, movendo-se pelas planícies enquanto seguimos os búfalos?", questiona Johnson. "Podemos colocar uma mensagem em pele e exibi-la." A peça, encontrada no U.S. Marshals Museum, ganha novo contexto na Poster House, onde "tem permissão para se expressar, para estar presente e para gritar".

Implicações e o Legado de "Designer Uma Vez Conhecido"

A atribuição de autoria na exposição também é um ponto de reflexão. O uso de "Designer Once Known" (Designer Uma Vez Conhecido) em vez de "Unknown Artist" (Artista Desconhecido) é uma forma de conferir dignidade e reconhecer que, embora o nome possa ter se perdido, a humanidade e o conhecimento por trás da obra permanecem. É um espaço reservado para a esperança de preencher essas lacunas futuras. A seção "Marketing Extrativo" apresenta obras como a de Winold Reiss, um imigrante alemão que se tornou notório por seus retratos de nativos americanos nos anos 1920 e 30. Embora seus retratos fossem visualmente impressionantes e tenham sido usados pela Great Northern Railroad para promover suas rotas, o dinheiro não retornou às comunidades, e os nomes dos retratados foram omitidos. "A tipografia é incrível. Essa é a contradição. O cartaz é lindamente feito, mas participa de um sistema que extraiu pessoas, terras e imagens nativas para ganho comercial", reflete Johnson.

A exposição aborda a complexidade das relações históricas e culturais, onde admiração artística pode coexistir com exploração comercial. O trabalho de Reiss na Reserva Blackfeet, por exemplo, embora tenha sido bem recebido pela comunidade na época, também reflete a dinâmica de poder e a imposição de uma visão externa sobre as culturas nativas. A ideia de Reiss de oferecer um "estúdio grandioso" em estilo Michelangelo, em vez de aprender diretamente com os artesãos locais, exemplifica a persistência da "ideia ocidental de educação artística". Essa tensão entre a admiração pela estética e a crítica às práticas extrativistas é um fio condutor que convida à reflexão sobre o papel do design e da arte na perpetuação ou no desmantelamento de narrativas coloniais.

Horizontes e Perguntas em Aberto

"Designed to Be Red" não pretende ser uma exposição exaustiva, dada a impossibilidade de representar as centenas de tribos e nações reconhecidas e não reconhecidas, nem aquelas que foram completamente apagadas da história. Brian Johnson expressa o desejo de que a mostra viaje para locais como Pine Ridge ou Oklahoma City, onde possa ser expandida para dialogar com arquivos locais e o público das próprias comunidades. "Eu quero que as pessoas que a vejam sejam sua âncora, para que ela tenha significado para elas", afirma. A arte e o design, ele sugere, são ferramentas poderosas para a afirmação de identidades e a reivindicação de narrativas.

A exposição, inédita em sua abordagem, busca levar essas histórias e estéticas para áreas subatendidas, inspirando novas gerações de jovens nativos a se verem representados e a reconhecerem seu lugar nesses espaços criativos. A questão que permanece é como o campo do design gráfico continuará a evoluir para acomodar e celebrar a diversidade de vozes e experiências, desafiando as estruturas históricas e abrindo caminho para uma representação mais justa e multifacetada. A jornada de "Designed to Be Red" está longe de terminar; ela convida a uma contínua reavaliação do que consideramos arte, design e história, e de quem tem o poder de contá-la.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · ARTnews