Na tapeçaria urbana de Tribeca, onde a história industrial se mescla à modernidade sofisticada, a arquiteta Diana Kellogg deu nova vida à sua residência de 25 anos. O imóvel, outrora um armazém de frio para distribuidoras de alimentos e, antes disso, uma loja de suprimentos para encanadores, foi gradualmente transformado pela arquiteta, que decidiu empreender uma reforma mais profunda quando seus filhos deixaram o ninho. A intervenção não buscou apagar o passado fabril do edifício, mas sim celebrá-lo, integrando materiais resgatados a um design que honra a alma original do lugar.
O Passado como Matéria-Prima
A remoção de um antigo elevador de carga abriu espaço para a criação de um recanto singular, batizado de "Green Room". Envolto em vidro e com assentos estofados, este espaço serve como um refúgio para conversas íntimas ou videochamadas. A cozinha também se beneficia dessa filosofia de reutilização, com estruturas, estantes e até mesmo a escada que conecta os quatro andares do imóvel construídas a partir de peças recuperadas. "Havia portas antigas de vidro e aço, janelas e outras coisas pela casa", relata Kellogg. "Eu simplesmente as movi e as reutilizei", descreve a arquiteta, que vê em cada elemento resgatado uma oportunidade de contar uma nova história.
Diálogo entre Texturas e Espaços
Em sintonia com a arquitetura original, a decoração mantém um tom industrial e minimalista, valorizando elementos marcantes como a lareira e as vigas de castanheiro de 7,5 metros que cruzam o teto. O processo de restauração dessas vigas foi árduo, mas, segundo Kellogg, uma das decisões mais acertadas pela "calor e caráter" que adicionam ao ambiente. Os quartos no andar superior, antes com tetos de tijolos em abóbada, foram reconfigurados com uma decoração neutra, separados por portas deslizantes de mogno. No térreo, o antigo "playground" infantil, com cordas de escalada e um balanço, deu lugar a uma sala de TV acolhedora, equipada com um sofá em L e móveis de meados do século.
Um Oásis Urbano com Vistas Privilegiadas
O terraço da cobertura foi redesenhado para se tornar um verdadeiro oásis urbano, com o paisagismo complementado por floreiras e mobiliário de madeira, criando áreas de jantar e estar com vistas para uma ponte histórica que liga edifícios adjacentes. A intenção era ter um "segundo ambiente de estar" no topo, um refúgio que dialogasse com a paisagem urbana sem perder a intimidade. Kellogg expressa satisfação com as vistas, considerando-as até mais interessantes do que estar "dentro" da própria ponte. O espaço, que ainda exibe uma das cordas de escalada originais como peça de arte, reflete a capacidade da arquiteta de infundir poesia e funcionalidade em cada canto de sua residência.
O que resta, então, é a sensação de uma casa que não apenas abriga, mas que também respira a história de seu entorno, um testemunho do poder da arquitetura em transformar o velho em novo, o descartado em precioso. A residência de Kellogg em Tribeca convida à reflexão sobre como o passado pode ser um alicerce para o futuro, um convite silencioso para que cada espaço conte sua própria narrativa.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen





