A disputa por telas premium no cinema acaba de ganhar um novo capítulo, com uma alfinetada pública. Rich Gelfond, o CEO da IMAX, desqualificou o recém-anunciado selo "Infinity Vision" da Disney, classificando-o como uma mera "iniciativa de marketing". A declaração, feita ao Business Insider, expõe a tensão por trás do inevitável choque de bilheteria entre "Vingadores: Doomsday" da Marvel e "Duna: Parte 3".

O conflito é logístico e estratégico. Com as cobiçadas telas IMAX já reservadas para o filme de Denis Villeneuve na mesma data de estreia, a Disney se viu sem seu principal parceiro de formato premium. A solução foi criar seu próprio selo de qualidade para salas de grande formato que não são IMAX. Para Gelfond, a jogada não é tecnológica, mas uma tentativa de controlar a narrativa.

O selo da discórdia

Segundo o CEO da IMAX, o "Infinity Vision" não representa "nenhum avanço tecnológico". É, em suas palavras, uma forma que a Disney encontrou para "vender o filme para o público" diante da indisponibilidade das telas de sua empresa. A Disney descreve a certificação como uma garantia de "apresentação excepcional", com telas grandes e som de alta qualidade, mas a fala de Gelfond tenta esvaziar o selo antes mesmo de sua estreia.

A confiança do executivo reflete o momento da IMAX. A empresa deixou de ser apenas uma tela maior para se tornar uma marca de prestígio, coassinada por diretores como Christopher Nolan, que filmou seu novo "The Odyssey" inteiramente com câmeras IMAX, e o próprio Villeneuve. Ter um filme "em IMAX" tornou-se um evento cultural e um selo de qualidade artística, não apenas técnica. Ao ser preterida, a Disney não perdeu apenas um canal de distribuição, mas um poderoso argumento de marketing.

É improvável que a ausência da IMAX afete drasticamente a performance de "Doomsday" nas bilheterias — o universo Marvel tem força própria. A questão central é sobre o poder da marca e o controle da experiência premium. Ao criar o "Infinity Vision" por necessidade, a Disney pode estar inadvertidamente validando a percepção de que existe o padrão-ouro — a IMAX — e as alternativas. Resta saber se o público comprará a visão da Disney ou se a enxergará, como Gelfond, apenas como um plano B.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider