A mineradora australiana Viridis Mining and Minerals concluiu a captação da parcela de capital próprio (equity) necessária para avançar com seu projeto de terras raras em Caldas, Minas Gerais. A companhia atingiu a marca de US$ 154 milhões em equity após fechar uma rodada de US$ 75 milhões com a gestora inglesa One Investment Management (OneIM), que tem entre seus investidores o fundo soberano Mubadala, dos Emirados Árabes.
O movimento, reportado pelo Capital Reset, reduz significativamente o risco do projeto Colossus, cujo custo total é estimado em US$ 449 milhões. Com o equity assegurado, a Viridis ganha fôlego para negociar os 70% restantes do financiamento via dívida. O investimento sublinha o crescente interesse internacional pelo potencial do Brasil na cadeia de minerais críticos, essenciais para a transição energética e tecnologias avançadas, como veículos elétricos e turbinas eólicas.
O xadrez geopolítico em solo mineiro
O projeto Colossus se insere diretamente na estratégia do Ocidente para diversificar o fornecimento de terras raras, um mercado hoje dominado pela China, que concentra cerca de 80% da capacidade global de refino. A mina em Caldas, focada em depósitos de argila iônica, visa produzir concentrados de neodímio e praseodímio, elementos vitais para a fabricação de superímãs.
O capital para o projeto reflete essa dinâmica geopolítica. Além do aporte da OneIM, a Viridis conta com as gestoras brasileiras Régia Capital e Ore Investments como sócias. Ambas administram um fundo de minerais críticos que tem BNDES e Vale como âncoras, posicionando a Viridis como uma forte candidata a receber investimentos futuros e alinhando capital estrangeiro a uma estratégia de desenvolvimento local.
Do offtake à regulação
Com a estrutura de capital equacionada, o foco se volta para a execução. Um pilar central é o memorando de entendimento para venda de 70% da produção à belga Solvay, uma das poucas grandes processadoras de terras raras fora da China. Contratos de compra antecipada (offtakes) como este funcionam como garantia para os credores e são decisivos para destravar o financiamento via dívida.
Contudo, uma nova variável de risco surgiu no horizonte. O Senado aprovou um projeto de lei que cria uma política nacional para minerais críticos, prevendo que contratos de fornecimento que afetem a segurança nacional sejam homologados pelo governo. Segundo executivos da Viridis, essa prerrogativa gera incerteza e pode atrasar ou complicar o fechamento de acordos vinculantes, como o negociado com a Solvay.
A decisão final de investimento no projeto é esperada para o quarto trimestre de 2026, com o início das operações previsto para 2028. Até lá, a Viridis precisa navegar um desafio duplo: estruturar o pacote de dívida no mercado internacional e, ao mesmo tempo, decifrar as regras de um novo tabuleiro regulatório no Brasil, que busca equilibrar atração de capital e soberania estratégica.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Capital Reset





