O escritório de advocacia Cooley está lançando o Cooley Go Lab, um portal exclusivo projetado para automatizar tarefas jurídicas rotineiras para startups. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a startup Legora, chega em um momento em que fundadores recorrem cada vez mais a chatbots de uso geral para redigir contratos e resolver questões legais complexas sem orientação profissional.

A ferramenta será disponibilizada inicialmente para as startups que compõem a turma de verão da Y Combinator. Segundo Matt Bartus, copresidente da prática de empresas emergentes do Cooley, o objetivo é oferecer um ambiente controlado onde os empreendedores possam revisar documentos e sanar dúvidas com maior segurança jurídica, evitando os riscos associados ao uso de IAs não especializadas.

Ameaça dos chatbots genéricos

A proliferação de modelos de linguagem tem levado fundadores a buscar atalhos para reduzir custos com honorários advocatícios. No entanto, o uso indevido de ferramentas como o ChatGPT para criar cláusulas de responsabilidade ilimitada, por exemplo, pode comprometer a estrutura societária de uma empresa desde o nascimento.

Max Junestrand, fundador da Legora, relata que o uso amador de IA pode deixar startups expostas a danos financeiros severos. Ao integrar a tecnologia da Legora, o Cooley tenta oferecer um meio-termo: a velocidade da automação, mas sob a supervisão indireta dos guardrails do escritório.

Mudança no modelo de negócio

O movimento do Cooley reflete uma tendência mais ampla no setor de Big Law. Escritórios de elite estão percebendo que, se não puderem impedir o uso de software pelos clientes, devem fornecer a infraestrutura tecnológica para que essa transição ocorra de forma organizada.

Enquanto firmas como Kirkland & Ellis exploram parcerias com a Palantir, o Cooley aposta em portais white-labeled. A estratégia é manter a relevância do escritório nas etapas iniciais de uma empresa, garantindo que o trabalho jurídico básico seja feito de maneira limpa, sem que isso substitua a necessidade de aconselhamento especializado em casos críticos.

Tensões e responsabilidades

Apesar da inovação, o Cooley faz um alerta importante: o portal não é protegido pelo sigilo advogado-cliente. Isso significa que os fundadores devem ser cautelosos com os dados inseridos na plataforma, já que o material poderia ser solicitado em litígios futuros.

A ferramenta atua como um hub de modelos e diretrizes, servindo para organizar a papelada inicial de startups que crescem em ritmo acelerado. A grande questão é como o mercado reagirá a essa fronteira entre o autosserviço automatizado e a consultoria tradicional de alto valor.

O futuro da advocacia tecnológica

A adoção de tecnologias de automação levanta dúvidas sobre o papel futuro dos advogados em startups de alto crescimento. Se a IA resolve a maior parte da burocracia, o valor do serviço advocatício será medido pela complexidade estratégica e não pela execução de contratos padrão.

O sucesso dessa iniciativa dependerá da capacidade do Cooley em equilibrar a eficiência da ferramenta com o risco de desintermediação. Observar a adesão da Y Combinator será fundamental para entender se o modelo de portais jurídicos especializados se tornará o novo padrão de mercado.

O setor jurídico enfrenta um dilema: abraçar a automação para manter a fidelidade do cliente ou resistir à tecnologia para proteger o modelo de horas faturáveis. A resposta do Cooley sugere que a integração é o caminho menos arriscado para evitar a obsolescência.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider