A Dascam, corretora com 35 anos de atuação no mercado de câmbio, está se movendo para águas mais digitais. A companhia anunciou a chegada de dois executivos sêniores, Renata Fiedler para a área comercial e Marcos Trigo para produtos, sinalizando uma preparação para expandir seu modelo de negócios.
O movimento, no entanto, é mais profundo que um simples reforço de equipe. Ele representa a materialização de uma nova tese estratégica: usar a robustez de um incumbente para explorar as fronteiras da moeda eletrônica e dos ativos virtuais, frentes para as quais a Dascam já obteve licença do Banco Central.
De incumbente a desafiante
Por mais de três décadas, a Dascam construiu sua reputação em um nicho específico e altamente regulado. Agora, a empresa se prepara para uma metamorfose, saindo de sua zona de conforto para competir em um território povoado por fintechs ágeis e grandes bancos digitais. A estratégia parece ser uma leitura atenta do novo cenário regulatório e competitivo, que, segundo o CEO Sérgio Brotto, “abre oportunidades para quem estiver preparado”.
A mudança regulatória, que inclui novas exigências de capital para instituições financeiras, está consolidando o mercado. Nesse contexto, a Dascam aposta que sua longevidade e solidez podem ser um trunfo para navegar em novas verticais, como a emissão de moeda eletrônica e a intermediação de criptoativos, que a empresa pretende explorar em breve.
O capital humano da virada
As contratações são peças-chave nesse tabuleiro. Renata Fiedler traz uma década de experiência na área comercial de câmbio, enquanto Marcos Trigo acumula 35 anos no mercado financeiro, com passagens por gigantes como Citibank, Santander e HSBC. A escolha não é por nativos digitais, mas por veteranos capazes de construir pontes entre o rigor do mercado tradicional e as novas dinâmicas de produtos digitais.
O desafio da Dascam será duplo: adaptar sua cultura e operações para a velocidade do mundo digital e, ao mesmo tempo, diferenciar-se em um mercado já concorrido. A aposta é que a combinação de uma base de clientes consolidada, expertise regulatória e um time experiente pode criar uma oferta de valor única.
A questão que fica no ar é se a disciplina e a estrutura de um player tradicional conseguirão se flexibilizar o suficiente para capturar o timing do mercado de ativos digitais. A estratégia está traçada; a execução ditará o resultado.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





