Um monumental dormitório de trabalhadores construído nos anos 1960 em Košice, na Eslováquia, acaba de ser convertido em um complexo com 507 moradias. O projeto, assinado pelo escritório local Atrium Architekti, transformou o edifício KOSMALT, originalmente destinado a funcionários de uma siderúrgica, em um exemplo de arquitetura adaptativa.
Mais do que uma simples reforma, a intervenção é um estudo de caso sobre como dialogar com a herança arquitetônica do pós-guerra. Em vez de demolir ou mascarar a estrutura brutalista, os arquitetos optaram por ressaltar suas qualidades, adaptando o interior para as demandas de moradia do século 21, segundo reportagem da revista Designboom.
A memória do concreto
A identidade do KOSMALT reside em sua fachada, uma grade rígida e repetitiva de módulos de concreto pré-fabricado. A decisão central do projeto foi restaurar e enfatizar essa geometria. Com uma pintura monocromática em cinza, a monumentalidade da composição original, dos arquitetos Ladislav Greč e Róbert Kandrík, foi reforçada, não escondida. A história do edifício permanece como protagonista.
No interior, a mesma lógica foi aplicada. Camadas de reformas posteriores foram removidas para revelar e restaurar materiais originais, como o piso de terrazzo nos corredores, o revestimento de mármore no vestíbulo e o embasamento de travertino na fachada. A estrutura de aço da escadaria também foi recuperada, mantendo a materialidade original visível.
Diálogo entre épocas
As intervenções contemporâneas são deliberadamente distintas. Chapas de metal expandido e ondulado, um projeto de iluminação customizado e um sistema de sinalização com cores fortes — salmão, marfim e amarelo — introduzem um novo vocabulário arquitetônico. O objetivo não é competir, mas criar um diálogo claro entre o antigo e o novo.
Funcionalmente, as células idênticas do antigo dormitório foram reorganizadas em 507 apartamentos compactos, com cerca de 21 metros quadrados cada. A área reduzida é compensada por janelas generosas e pela amplitude dos espaços comuns, como corredores e escadarias, que funcionam como áreas de convivência. O projeto demonstra que mesmo uma estrutura rígida pode ganhar flexibilidade para acomodar novos modos de vida.
O KOSMALT não é apenas uma renovação; é um argumento. Ele postula que mesmo estruturas monolíticas e aparentemente inflexíveis guardam um potencial de reinvenção. Num momento em que o setor da construção civil debate sua sustentabilidade, a resposta pode não estar em construir do zero, mas em reler o que já existe.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Designboom





