A taxa de desemprego na Colômbia encerrou o mês de maio em 8%, marcando uma queda de oito décimas em relação a abril e um ponto percentual abaixo do registrado há doze meses. Segundo dados divulgados pelo Departamento Administrativo Nacional de Estatística (DANE), este é o nível mais baixo observado no país desde novembro de 2025, quando o indicador atingiu 7%.
O resultado reflete uma dinâmica de recuperação no mercado de trabalho, impulsionada por uma combinação de expansão na oferta de vagas e um aumento na taxa global de participação, que subiu para 64,9%. A leitura editorial sugere que o país atravessa um período de absorção de mão de obra em setores estruturais, apesar das disparidades regionais e de gênero ainda presentes na economia colombiana.
Fatores da expansão setorial
O motor principal desta queda no desemprego foi o setor de administração pública, defesa, educação e saúde, que gerou 405 mil novos postos de trabalho. A indústria também apresentou desempenho robusto, com a criação de 218 mil vagas, seguida pelas atividades profissionais, científicas e técnicas, que adicionaram 143 mil empregos ao mercado.
Em contraste, o setor de transporte e armazenamento registrou a eliminação de 44 mil postos, evidenciando uma heterogeneidade na recuperação. A queda de oito décimas na taxa de informalidade, que atingiu 54,3%, é um sinal positivo de que a economia está conseguindo formalizar parte da força de trabalho, embora o desafio de integrar trabalhadores em setores de menor produtividade ainda seja uma constante.
Disparidades de gênero e regionais
Apesar da melhora nos indicadores agregados, a desigualdade de gênero permanece uma barreira estrutural significativa. O índice de desocupação masculino situou-se em 6,6%, enquanto o feminino alcançou 9,9%, configurando uma brecha de 3,3 pontos percentuais. Esse hiato reflete dinâmicas históricas de acesso ao trabalho que não foram totalmente mitigadas pelo crescimento econômico recente.
Geograficamente, a disparidade também é acentuada. Cidades como Quibdó, com uma taxa de desemprego de 23,9%, Cartagena (12,8%) e Riohacha (12,1%) enfrentam dificuldades muito mais severas do que centros como Villavicencio (7,5%) e Pereira (7,8%). A variação estatisticamente significativa entre essas regiões sugere que a política econômica nacional encontra obstáculos para ser implementada de forma homogênea em todo o território.
Implicações para a política econômica
O aumento da taxa de ocupação para 59,7% indica que a economia colombiana está conseguindo engajar uma parcela maior da população em atividades produtivas. Para os formuladores de políticas, o desafio agora é sustentar esse ritmo de criação de vagas sem pressionar a inflação ou depender excessivamente do gasto público, visto que a administração pública foi o principal vetor de contratação.
Para investidores e analistas, o monitoramento dos próximos meses será crucial para determinar se a tendência de baixa na informalidade é estrutural ou apenas cíclica. A dependência de setores específicos, como o público, levanta questões sobre a resiliência do mercado de trabalho caso haja uma retração fiscal ou uma desaceleração no investimento industrial privado.
Perspectivas de mercado
O que permanece incerto é a capacidade do mercado privado de absorver a força de trabalho caso o setor público reduza o ritmo de contratações. A observação de indicadores de longo prazo será fundamental para entender se a Colômbia conseguirá manter a trajetória de queda do desemprego abaixo dos níveis de 2025.
O cenário exige cautela, especialmente ao avaliar se a redução da informalidade será acompanhada por um aumento sustentável na renda real das famílias. A evolução das taxas de desocupação nas cidades com maiores dificuldades econômicas será o termômetro para medir o sucesso das políticas regionais de incentivo ao emprego.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





