O Banco Safra ajustou sua lupa sobre o setor de educação e o veredito para a Ânima (ANIM3) foi duro: a recomendação de compra foi rebaixada para neutra. O motivo, segundo relatório do banco, é o “espaço limitado para redução da alavancagem mais à frente”. Na outra ponta, os analistas mantiveram a recomendação de compra para as concorrentes Cogna (COGN3), Yduqs (YDUQ3) e Vitru (VTRU3).

O movimento desenha uma bifurcação clara no mercado. Enquanto todo o setor enfrenta as mesmas incertezas — concorrência acirrada, nova regulamentação para o ensino a distância e um cenário macroeconômico adverso —, a capacidade de gerir o endividamento e gerar caixa tornou-se o principal critério de seleção. A decisão do Safra não é sobre o presente, mas sobre a capacidade de financiar o futuro.

A alavancagem como divisor de águas

A tese do Safra é que, em um ambiente de juros altos e transição regulatória, ter um balanço fortalecido não é um diferencial, mas uma condição de sobrevivência. A Ânima, apesar de contar com ativos importantes como a Inspirali, sua vertical de medicina, vê sua flexibilidade financeira questionada. O endividamento, antes um motor de crescimento via aquisições, agora se torna uma âncora.

Em contraste, a Cogna foi eleita a "top pick" do setor justamente por sua execução operacional e, crucialmente, pela “solidez do balanço de geração de fluxo de caixa livre”. A aposta do banco recai sobre as empresas que possuem fôlego financeiro para adaptar suas operações às novas regras, suportar a pressão sobre as margens e, eventualmente, remunerar seus acionistas.

Um setor de "stock picking"

O Safra classifica o setor educacional como de "alto beta", ou seja, de alta volatilidade e sensibilidade ao humor do mercado. A baixa exposição de investidores, somada às incertezas, reforça a necessidade de uma seleção criteriosa de ações, o chamado stock picking.

Para o banco, os grandes grupos devem ganhar participação de mercado, pois escala e capacidade financeira se tornam vantagens competitivas decisivas. A infraestrutura já estabelecida e balanços mais robustos permitirão que essas companhias absorvam os custos da transição regulatória e a pressão de preços nos cursos híbridos. A disciplina de capital, portanto, definirá os vencedores.

A divergência nas recomendações do Safra é menos uma fotografia do momento e mais um mapa estratégico. Para o mercado, a resiliência financeira passou a valer mais do que promessas de crescimento. A questão não é mais quem cresce mais rápido, mas quem tem estrutura para aguentar a travessia.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times — Mercados