A Grendene vendeu sua subsidiária integral nos Estados Unidos, a Grendene Global Brands USA, para a Pajar USA por um valor fixo de US$ 3,6 milhões. O anúncio, feito em comunicado ao mercado, transfere o controle total da operação para a Pajar, que continuará a comercialização das marcas da companhia gaúcha no país.

À primeira vista, a venda de uma operação própria soa como um recuo. No entanto, a leitura aqui é de um pivô estratégico. A Grendene está trocando o controle direto pela expertise de um parceiro local, uma jogada clássica de quem busca otimizar a presença em mercados complexos e competitivos como o americano.

Menos controle, mais mercado

A decisão da Grendene reflete um dilema comum na expansão internacional: operar diretamente, com custos e riscos associados, ou licenciar a um parceiro. Ao vender a subsidiária, a companhia essencialmente terceiriza a complexa execução de go-to-market, desde a distribuição até o relacionamento com o varejo.

O valor da transação, US$ 3,6 milhões, é modesto para uma empresa com a escala da Grendene, o que reforça a natureza estratégica do movimento. O objetivo não parece ser uma injeção de caixa, mas sim a adoção de um modelo mais 'asset-light' e focado. A aposta é que a Pajar, com seu conhecimento do terreno, consiga uma penetração de mercado mais eficiente e veloz do que a Grendene conseguiria por conta própria.

O playbook da expansão

Este movimento coloca a Grendene em um caminho diferente de outras marcas brasileiras que buscaram o mercado global, como a Havaianas, que em muitos momentos investiu em lojas-conceito e operações diretas. A estratégia da Grendene parece ser a de focar no que faz de melhor — produto e marca — e deixar a ponta da distribuição para um especialista.

O sucesso da manobra não será medido pelo valor da venda, mas pelo desempenho das vendas de marcas como Melissa, Ipanema e Rider sob a nova gestão da Pajar nos próximos trimestres. É um teste para o modelo de expansão via parcerias, onde a confiança e o alinhamento de interesses superam a necessidade de controle acionário.

A Grendene está, na prática, trocando o risco operacional pela aposta em um especialista. A prova de que a estratégia foi acertada virá dos balanços futuros, que mostrarão se a capilaridade da Pajar se traduziu em crescimento de receita, e não do comunicado de venda.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times