A gestora de fundos Horos Asset Management reconfigurou seu portfólio no terceiro trimestre de 2026, com movimentos estratégicos que incluem a entrada na farmacêutica Rovi e o reforço em Acciona Energía. Paralelamente, a firma decidiu se desfazer de suas participações na Cirsa e na Hotei Properties, otimizando a alocação de capital.

A entrada na Rovi se deu com uma posição de 2,5%, motivada pela percepção de um ponto de entrada atrativo no mercado de ações, que havia recuado cerca de 37% desde abril. Segundo a gestora, essa queda, decorrente de resultados trimestrais aquém do esperado e do corte nas projeções para 2026, representa um "bache" temporário que não compromete as perspectivas de crescimento e geração de caixa a longo prazo. A liquidez para essa nova posição foi parcialmente obtida com as desinversões de Cirsa e Hotei Properties.

Em paralelo, a Horos AM elevou sua participação na Acciona Energía para 8%, tornando-a a principal aposta de seu portfólio. A gestora argumenta que a avaliação atual dos ativos da empresa de energia "respalda o investimento e lhe confere margem de segurança". Há uma expectativa de movimentação corporativa na Acciona, seja por aquisição de ações remanescentes, venda parcial ou alienação total da participação, o que pode gerar valor para os acionistas.

Movimentações em Consumo Cíclico

No âmbito internacional, a Horos AM reduziu sua exposição à francesa Sopra Steria, que apresentou uma recuperação de quase 70% desde abril, e à Pluxee, com valorização próxima a 45% em dois meses. A gestora também encerrou sua posição na Ajisen China Holdings, citando resultados "pouco satisfatórios" e a dificuldade de recuperação em decorrência da crise de consumo. A intenção era recuperar resultados que não se concretizaram.

Com a liquidez gerada, a Horos AM construiu posições na Becle (1,5%), beneficiando-se de sua exposição a segmentos de crescimento no mercado de bebidas espirituosas e marcas premium, e na Yum China Holdings (1,3%), reconhecida por suas vendas resilientes e reinvestimento em novas unidades. Adicionalmente, a gestora aumentou sua participação nos holdings franceses Bolloré e Compagnie de l’Odet, que negociam com um desconto ainda maior, e iniciou uma posição de 1,6% na Mobility Global (CARFAX), atraída por sua capacidade de gerar caixa para aquisições e recompra de ações.

Renda Fixa e Desinvestimentos

No fundo de renda fixa mista 'Horos Patrimonio', a gestora desinvestiu da Hotei Properties devido à OPA e reduziu a exposição à dívida brasileira da Constellation Oil Services, considerada sensível a variações nas taxas de juros. Em contrapartida, a empresa aumentou seu peso no título com vencimento em 2031 da Serica Energy, uma companhia de petróleo e gás com baixo endividamento e forte potencial de geração de caixa. Novas posições foram construídas no passivo de Panoro Energy, Forum Energy Technologies, Sampa e Virgin Media O2.

Desempenho dos Fundos

Os fundos de gestão "value" da Horos AM apresentaram desempenho misto no último trimestre. O "Horos Value Internacional" registrou um leve ganho de 0,1%, enquanto o "Horos Value Iberia" e o "Horos Patrimonio" tiveram retornos negativos de 1,6% e 0,3%, respectivamente. No acumulado desde 2012, o fundo internacional soma 420% de rentabilidade (12,2% anualizada), e o ibérico, 380% (11,8% anualizada).

A estratégia da Horos AM reflete uma gestão ativa e seletiva, buscando oportunidades em setores com potencial de crescimento e margens de segurança, ao mesmo tempo em que gerencia riscos através de desinvestimentos em posições menos promissoras.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España