Para o CEO da PwC nos Estados Unidos, Paul Griggs, as empresas estão cometendo dois erros capitais na corrida pela inteligência artificial. O primeiro é enxergar a IA como uma transformação puramente tecnológica. O segundo é acreditar que a tecnologia, por si só, pode consertar um negócio com processos quebrados.

Em entrevista ao Business Insider, Griggs argumenta que essa mentalidade leva as companhias a “tropeçar” repetidamente. A leitura é que a adoção de IA não é um projeto a ser confinado ao departamento do CIO ou CTO, mas uma transformação de negócios em larga escala, que demanda uma gestão de mudança envolvendo todas as pessoas e processos da organização.

Não é um projeto de tecnologia

O primeiro equívoco, segundo Griggs, é delegar a IA à área de tecnologia. Empresas que fazem isso “estão simplesmente perdendo a oportunidade”. A questão fundamental não é se a IA aumenta a produtividade, mas o que fazer com o ganho obtido. A “resposta preguiçosa”, diz ele, é simplesmente levar o resultado para a última linha do balanço, ou seja, cortar custos.

O desafio estratégico é mais complexo: identificar onde estão as oportunidades de crescimento e estar disposto a reinvestir o “dividendo da IA” nessas frentes. Trata-se de uma decisão de alocação de capital e estratégia, não de infraestrutura. A transformação, portanto, deve ser liderada pelo CEO e pelo board, não apenas pelo time de tecnologia.

Lixo entra, lixo sai

O segundo erro é esperar que a IA seja uma solução mágica para a ineficiência. Aplicar uma camada de inteligência artificial sobre processos mal desenhados ou caóticos não os otimiza; apenas cria processos bagunçados e mais complexos, agora turbinados por IA. “Tudo o que a IA fará por você é dizer o quão ruim seu processo bagunçado realmente é”, afirma Griggs.

A recomendação é o caminho inverso: usar a implementação da IA como um catalisador para reconstruir processos de ponta a ponta. Isso significa simplificar fluxos de trabalho e redesenhar a operação antes de automatizá-la. O objetivo não é apenas aplicar a tecnologia, mas repensar como a empresa se relaciona com clientes e cria novas oportunidades.

A mensagem de uma das maiores consultorias do mundo é clara. A adoção de IA é menos sobre a ferramenta e mais sobre a estratégia de negócio e a cultura organizacional. A tecnologia não é uma bala de prata, mas um espelho que reflete a eficiência — ou a falta dela — de uma companhia.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider