O JPMorgan engrossou o coro de instituições financeiras que revisaram suas perspectivas para o Banco do Brasil, juntando-se a Bank of America, XP e Itaú BBA. Em relatório, o banco americano cortou o preço-alvo para a ação BBSA3 de R$ 24 para R$ 22, embora tenha mantido a recomendação "neutra".

A manutenção da neutralidade, segundo os analistas, se justifica pela volatilidade associada ao cenário eleitoral, que aconselha uma postura mais equilibrada. Contudo, a tese central do documento é que os fundamentos do banco estatal enfrentam desafios concretos, questionando a sustentabilidade do rali de mais de 20% que os papéis viram nas últimas semanas.

O freio de mão fundamental

A análise do JPMorgan vai além do ruído político e foca em métricas operacionais. O banco projeta um lucro menor para o BB em 2026, na casa de R$ 16,9 bilhões, com um retorno sobre o patrimônio (ROE) de apenas 9%. Para 2027, a estimativa de lucro foi cortada em 12%, para R$ 23,5 bilhões, com um ROE próximo a 12%.

Os vetores para essa revisão são claros: maiores despesas com provisões para devedores duvidosos, um reflexo direto do forte aumento da inadimplência nos cartões de crédito observado no segundo trimestre. Além disso, o banco aponta para uma margem financeira (NII) mais fraca com o mercado, indicando que a capacidade de gerar receita com operações financeiras está sob pressão.

O peso da Seguridade

O desafio não é apenas no negócio bancário tradicional. O relatório destaca que a revisão também se deve a receitas mais fracas vindas de participações societárias, com um foco particular na BB Seguridade (BBSE3). A subsidiária, um dos motores de resultado do conglomerado, também enfrenta um momento adverso.

Segundo a reportagem do Money Times, a BB Seguridade tem sido alvo de revisões negativas por parte de analistas, como um rebaixamento do Citi, em meio a um momento fraco do agronegócio e outros riscos setoriais. Isso cria uma pressão dupla sobre o Banco do Brasil, que vê tanto seu core business quanto suas principais fontes de receita acessória sendo questionados pelo mercado.

O movimento coordenado de revisões sugere que, passada a euforia de um eventual rali de mercado, os investidores voltam a fazer contas. A mensagem é que os desafios estruturais e operacionais do Banco do Brasil demandam uma análise mais sóbria, independente dos ventos políticos de curto prazo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times