Pressionada por uma ação judicial que poderia custar US$ 200 bilhões, a Meta optou por um acordo. A empresa pagará US$ 18 bilhões e, mais importante, redesenhará partes da experiência do Instagram e do Facebook para usuários com menos de 17 anos nos Estados Unidos. A medida é uma resposta direta às acusações de que suas plataformas foram deliberadamente projetadas para gerar dependência em crianças e adolescentes.

O acordo, reportado pelo site Xataka, é menos sobre o valor financeiro — uma fração do que era pedido — e mais sobre a concessão estratégica. A Meta está, na prática, admitindo a necessidade de barreiras que antes relutava em criar. É um movimento que sinaliza o possível fim de uma era de autorregulação e crescimento a qualquer custo, abrindo um novo capítulo de responsabilidade imposta por via legal.

As novas regras do jogo

O pacote de mudanças ataca diretamente os mecanismos de engajamento que estiveram no centro das críticas. Por padrão, menores terão um limite de uso de duas horas diárias (combinadas entre Facebook e Instagram), com pausas sugeridas a cada 15 minutos para combater o doomscrolling. Haverá também um bloqueio de funções — como a publicação de conteúdo e o acesso à aba Explorar — entre meia-noite e 6 da manhã.

Outras alterações incluem o silenciamento de notificações durante o horário escolar e a ocultação do número de “likes” por padrão. A Meta se comprometeu ainda a reforçar a verificação de idade e a restringir filtros de beleza associados a efeitos de “maquiagem extrema”. São mudanças que transferem parte do ônus do controle dos pais e usuários para a própria plataforma.

Entre o controle e a autonomia

Contudo, a concessão da Meta tem seus limites. Funções cruciais, como a desativação da reprodução automática de vídeos e a opção por um feed não personalizado pelo algoritmo, não serão ativadas por padrão. A empresa apenas enviará “lembretes” para que os usuários façam a mudança, uma nuance que mantém a porta aberta para os mecanismos que, em primeiro lugar, geraram a controvérsia.

Embora o acordo se aplique apenas aos EUA (com exceção da Flórida e do Novo México), ele estabelece um precedente global. Reguladores na Europa e no Brasil, onde debates sobre o tema avançam, certamente observarão a implementação e os resultados. A leitura é que este manual de restrições pode se tornar um padrão mínimo para a operação de redes sociais voltadas ao público jovem em todo o mundo.

O movimento da Meta é uma concessão significativa, forçada pela pressão regulatória. É um passo que afasta as plataformas de um modelo puramente focado em engajamento, mas a eficácia real dessas barreiras e o equilíbrio entre proteção e autonomia do usuário ainda serão testados. A discussão sobre a responsabilidade fundamental das plataformas está longe de terminar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka