A cidade de Córdoba, na Espanha, será o palco, nos dias 24 e 25 de setembro, da XII Conferência Ibero-americana de Ministras e Ministros de Agricultura e Pesca. O encontro reunirá delegações de 22 países para forjar uma estratégia comum em torno de um dos temas mais críticos da geopolítica atual: a segurança alimentar.
O que está em jogo vai além de um alinhamento diplomático. A conferência busca produzir a “Declaração de Córdoba”, um documento que deve nortear as políticas públicas do bloco em áreas que vão da agricultura familiar e acesso a financiamento à digitalização e inovação. A leitura aqui é que o encontro representa um esforço para harmonizar as respostas a desafios que não respeitam fronteiras, como a modernização do campo e a sustentabilidade dos recursos.
Além da terra, o mar
Pela primeira vez, a conferência ministerial ibero-americana incluirá formalmente a pesca e a aquicultura em suas discussões. A decisão é um marco, segundo a organização, e reflete o reconhecimento de que a segurança alimentar depende de uma gestão integrada dos ecossistemas terrestres e marinhos. A pauta inclui um tema de alta sensibilidade: a luta contra a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada, um desafio que exige cooperação internacional robusta.
Em paralelo, a agenda tecnológica é central. Um fórum com cerca de 150 empresas do setor agroalimentar ibero-americano, realizado nos dias que antecedem a cúpula, sinaliza a urgência em acelerar a adoção de novas tecnologias. Para países como o Brasil, onde o ecossistema de agritechs é vibrante, a discussão sobre inovação e digitalização em nível multilateral pode abrir portas para novas parcerias e mercados.
O fator humano no centro
Mas a tecnologia, por si só, não garante o futuro do setor. A conferência reserva espaço para debater temas como a sucessão geracional no campo e a maior participação de mulheres na cadeia produtiva — problemas estruturais em grande parte dos países presentes. O movimento sugere uma compreensão de que a sustentabilidade do agronegócio passa, necessariamente, pela renovação de seu capital humano.
A presença de organismos como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Organização para a Alimentação e a Agricultura das Nações Unidas (FAO) indica que a busca por um roteiro comum não ficará apenas no papel. O desafio será traduzir a declaração política em mecanismos de cooperação eficazes e, principalmente, em financiamento para transformar os sistemas agroalimentares da região.
O encontro em Córdoba é um termômetro da capacidade do eixo ibero-americano de articular uma visão de futuro para um de seus setores mais estratégicos. O teste real, no entanto, começará quando as delegações voltarem para casa e a Declaração de Córdoba precisar virar política pública no campo e no mar.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





