Para qualquer profissional com ambição, a oferta de conselhos é vasta e constante. De gestores e mentores a influenciadores em redes sociais, todos parecem ter uma fórmula para o sucesso. Tentar seguir todas as recomendações, no entanto, é uma receita para a paralisia. A atividade é intensa, mas o progresso, nulo.

A verdadeira habilidade competitiva não reside em acumular conselhos, mas em desenvolver um filtro rigoroso para separar o que é útil do que é apenas ruído. Segundo uma análise da Fast Company, essa curadoria exige um método que vai além de simplesmente procurar pessoas bem-sucedidas. A questão central é discernir a fonte, a intenção e a aplicabilidade de cada orientação recebida.

Professores, não apenas vencedores

O instinto primário é buscar conselhos de quem já chegou ao topo. A lógica parece infalível, mas é frequentemente uma armadilha. Pessoas de grande sucesso têm dificuldade em isolar as variáveis que realmente importaram em sua trajetória, separando esforço e genialidade de fatores como sorte, timing e conexões. O conselho derivado dessa experiência, portanto, pode superestimar fatores que não são replicáveis para outras pessoas em outros contextos.

Em vez de buscar apenas os "vencedores", a estratégia mais eficaz é encontrar "bons professores". Um bom professor é alguém que pensou de forma estruturada sobre os fatores que estão sob o controle de um indivíduo para atingir seus objetivos. Ele é capaz de diagnosticar sua situação atual e oferecer recomendações claras e acionáveis. Essa pessoa pode ou não ser a mais bem-sucedida em um campo, mas sua capacidade de ensinar e contextualizar é o ativo mais valioso.

A dose certa de interesse

O nível de envolvimento de quem aconselha é outro fator crítico. Nos extremos, o valor do conselho se degrada. Pessoas com pouco ou nenhum interesse em sua trajetória tendem a oferecer conselhos genéricos e superficiais, sem o esforço de entender as nuances do seu desafio. No outro polo, pessoas que se importam excessivamente — como familiares ou amigos muito próximos — podem dar conselhos que visam mais reduzir a própria ansiedade do que otimizar o seu caminho.

O ponto ideal está no meio: mentores ou gestores que se importam o suficiente para investir tempo e entender seu contexto, mas que mantêm uma distância profissional que lhes permite ser objetivos. É fundamental também decifrar o "ângulo" de cada um. Um supervisor que o vê como um futuro líder e sucessor tem seus interesses alinhados aos seus. Já um que o enxerga como uma ameaça pode, consciente ou inconscientemente, oferecer um aconselhamento enviesado.

Uma vez que um conselho é escolhido e uma mudança é implementada, é preciso dar tempo para que os resultados apareçam. A mesma disciplina usada para filtrar a orientação deve ser aplicada à execução. Mudar de rota a cada nova opinião é uma forma de autossabotagem. A decisão sobre qual caminho seguir é apenas o primeiro passo; a constância em percorrê-lo é o que, no fim, gera o resultado.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company