Os mercados iniciam a semana em compasso de espera, pressionados por uma combinação de risco geopolítico no exterior e ruído político doméstico. A cautela reflete a expectativa por novas sanções dos Estados Unidos contra o Irã, enquanto no Brasil os investidores digerem a primeira pesquisa eleitoral relevante para o ciclo de 2026.

Apesar de uma queda nos preços do petróleo nesta segunda-feira, após seis sessões de alta, o clima é de aversão ao risco. A leitura é que o mercado local está espremido entre a instabilidade no Oriente Médio, com seus efeitos sobre a inflação, e a crescente incerteza sobre o cenário sucessório brasileiro, que impacta diretamente a percepção fiscal e o apetite por ativos de risco.

O fator Teerã

A trégua nos preços do petróleo é vista mais como um ajuste técnico do que como um sinal de distensão. O mercado opera aguardando a natureza e a extensão das sanções americanas contra o Irã. Qualquer escalada no conflito tem potencial para reverter rapidamente a queda da commodity, adicionando pressão inflacionária em escala global.

Este cenário limita o espaço de manobra de bancos centrais ao redor do mundo, incluindo o Federal Reserve americano. A divulgação do payroll nos EUA, na sexta-feira, será um termômetro crucial para a política de juros, mas o vetor geopolítico adiciona uma camada de complexidade à equação, tornando as decisões mais difíceis.

O barulho de Brasília

Internamente, o foco se volta para a pesquisa BTG Pactual/Nexus. O levantamento, que aponta um empate técnico entre o atual presidente Lula (46%) e Flávio Bolsonaro (45%) num eventual segundo turno, serve como um balde de água fria para quem esperava um cenário político mais definido.

Para a Faria Lima, o resultado sinaliza um longo período de volatilidade pela frente. Uma disputa acirrada e polarizada aumenta a imprevisibilidade sobre a condução da economia e a continuidade de agendas de reformas, fatores que pesam sobre a precificação de ativos brasileiros. Com uma agenda econômica doméstica relativamente esvaziada na semana, o noticiário político tende a ganhar protagonismo na formação de preços.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times