No coração do histórico bairro do Albaicín, em Granada, um tesouro do século XIII foi meticulosamente restaurado e reimaginado. O Grupo Ponce de León inaugurou o Monumental Hotel Yanguas Nazarí Palace 5*, um hotel boutique de luxo que se destaca não apenas por sua categoria, mas por sua natureza monumental. A abertura deste empreendimento singular é acompanhada pelo lançamento de ‘Cauce’, um projeto independente de alta cozinha sob o comando do renomado chef granadino Chechu González.

O novo complexo hoteleiro é o resultado da união e restauração artesanal de três edificações históricas distintas: uma casa nazarí do século XIII, um casarão mourisco do século XVI e um carmen do século XVII com quatro pátios interiores. O resultado é descrito como uma "pequena Alhambra habitável", um santuário de luxo que preserva a essência de Granada. O hotel dispõe de onze suítes, cada uma com um design único, refletindo a estrutura herdada do conjunto histórico e a sua relação com os pátios e elementos originais. A área do carmen oferece um terraço com piscina, um convite à contemplação da serenidade do Albaicín e à celebração do estilo de vida granadino, que valoriza os pátios, a água e a vida ao ar livre.

Patrimônio Histórico e Restauração

A intervenção, liderada pelo experiente restaurador Javier Dávila Ponce de León, que possui mais de 25 anos de experiência em monumentos como a própria Alhambra, e pela restauradora Julia Ramos, focou na recuperação minuciosa dos elementos originais. Foram resgatadas yeserias policromadas, artesonados e estruturas de madeira que datam de séculos passados. Diante de expolios históricos, a equipe empreendeu uma busca dedicada para localizar e recuperar elementos cerâmicos e de carpintaria, provenientes de Marbella e Marrocos, com o objetivo de restituir a coerência arquitetônica original do conjunto. Este meticuloso trabalho de restauração confere ao hotel um valor histórico e cultural inestimável, transformando-o em um testemunho vivo da rica herança de Granada.

Gastronomia de Autor e Experiência Sensorial

A experiência no Yanguas Nazarí Palace é enriquecida pela oferta gastronômica de ‘Cauce’. Liderado pelo chef Chechu González, o restaurante se baseia em três pilares: a cozinha ácida, o uso de molhos e a profunda conexão com sua cidade natal. A proposta culinária homenageia a tradição e o território de Granada, com menus degustação que exploram conceitos como acidez, vinagres e escabeches. O menu ‘Zellige’, com 16 pratos por 93 euros, e o ‘Cauce’, com 19 pratos por 118 euros, oferecem uma imersão nos sabores locais. Elaborações como a tortilla del Sacromonte e o remojón granadino são reinterpretadas, utilizando produtos do próprio huerto do chef.

Integração de Água e Arte

O elemento água, tão intrinsecamente ligado à história de Granada, é um componente simbólico e arquitetônico central no hotel. A adega, situada em um aljibe original, abriga cerca de 230 referências de vinhos nacionais e internacionais e um espaço reservado para degustações privadas. A experiência é completada pela vajilla artesanal desenhada pela ceramista Maya Vergel. As peças não são meros recipientes, mas uma extensão do conceito de ‘Cauce’, onde o trabalho manual, a matéria-prima e a memória do lugar são essenciais. O hotel também conta com o restaurante Casa Yanguas, para o serviço dos hóspedes.

Impacto Cultural e Turístico

A transformação deste palácio do século XIII em um hotel de luxo representa mais do que um empreendimento imobiliário; é um ato de preservação cultural e um impulso para o turismo de alto padrão em Granada. Ao resgatar e dar nova vida a um monumento histórico, o Grupo Ponce de León não apenas cria um destino exclusivo, mas também contribui para a salvaguarda do patrimônio arquitetônico da cidade. A integração com a alta gastronomia consolida o Yanguas Nazarí Palace como um polo de atração que vai além da hospedagem, oferecendo uma experiência imersiva na cultura e nos sabores de Granada. O projeto, parte da ‘Ponce de León Collection’, reforça o compromisso da família com hotéis históricos.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España