A Pátria Investimentos, uma das maiores gestoras de ativos alternativos da América Latina, concluiu a venda de sua participação na macroplanta solar ‘Puerta de Oro’, na Colômbia. O comprador é a Isagén, empresa local de geração e comercialização de energia. A gestora brasileira detinha 75% do ativo, com os 25% restantes pertencendo à britânica Ashmore Group. O valor da transação, realizada integralmente em dinheiro, não foi divulgado.

O movimento representa um caso clássico do ciclo de investimentos em infraestrutura: um desenvolvedor financeiro constrói e desarrisca um ativo para, em seguida, vendê-lo a um operador estratégico de longo prazo. A transação valida a tese de investimento em energia renovável na região e demonstra a crescente liquidez de mercado para projetos de grande escala, um fator crucial para atrair e reciclar capital no setor.

O ciclo do capital em infraestrutura

A venda da ‘Puerta de Oro’ ilustra a diferença fundamental entre investidores financeiros e estratégicos. Para Pátria e Ashmore, o objetivo era alocar capital, gerenciar o desenvolvimento de um projeto complexo — com 360 MW de potência e mais de 500 mil painéis solares — e realizar o ganho após a maturação do ativo. O sucesso da empreitada abre caminho para o reinvestimento dos recursos em novos projetos.

Para a Isagén, a lógica é outra. Conforme destacou Pablo Cano, chefe de infraestrutura do Pátria na Colômbia, em declaração à Bloomberg, a compradora é a sucessora ideal por seu profundo conhecimento do mercado elétrico colombiano. A energia solar oferece uma complementaridade estratégica ao portfólio majoritariamente hídrico da Isagén, funcionando como um hedge natural em períodos de seca — uma preocupação crescente em toda a América Latina.

Um mercado que amadurece

Este desinvestimento é um sinal positivo para todo o ecossistema de energia renovável latino-americano. Ele confirma que existe um mercado secundário robusto, capaz de absorver ativos de grande porte e permitir que os fundos de infraestrutura realizem seus retornos e realoquem capital para a próxima fronteira de desenvolvimento.

Embora o negócio tenha ocorrido na Colômbia, o roteiro é familiar ao mercado brasileiro. Por aqui, movimentos semelhantes são vistos com frequência, onde desenvolvedores e fundos de private equity estruturam projetos eólicos e solares para depois vendê-los a grandes concessionárias e players de energia, tanto nacionais quanto internacionais. A transação do Pátria serve como mais uma evidência de que o playbook de desenvolvimento e venda de ativos de energia limpa está consolidado na região.

A lógica por trás do negócio é transparente, mas a ausência do valor da transação deixa em aberto a magnitude do retorno obtido pelos vendedores. Ainda assim, a capacidade de executar uma saída bem-sucedida de um projeto desta escala reforça a atratividade da classe de ativos. A questão que fica não é se este capital será reaplicado, mas onde Pátria e outros investidores encontrarão a próxima ‘Puerta de Oro’.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España