A Rakuten Medical, divisão de biotecnologia do gigante japonês de tecnologia Rakuten, almeja substituir os bisturis de cirurgiões por uma abordagem mais futurista no combate ao câncer. Sob a liderança de Minami Maeda, CEO da empresa, a companhia está concentrando cerca de 95% de seus recursos no promissor mercado dos Estados Unidos. A tecnologia central, batizada metaforicamente de "lightsaber", utiliza a fototerapia para tratar a doença, com a empresa já aplicando a terapia fotoimunológica em casos de câncer de cabeça e pescoço no Japão. Atualmente, a Rakuten Medical conduz ensaios clínicos de Fase 3 nos EUA, com o objetivo de submeter o tratamento para aprovação da FDA (Food and Drug Administration) até 2028.

“Os Estados Unidos são o maior mercado do mundo e é onde muito capital é investido”, declarou Maeda em entrevista à Fortune. “Queremos ser capazes de tratar todos os tumores sólidos, em vez de nos limitarmos apenas a cânceres de cabeça e pescoço – isso significa que precisamos de capital significativo para ser investido em P&D.” A ambição é clara: consolidar a fototerapia como o quinto pilar do tratamento oncológico, ao lado de cirurgia, radiação, quimioterapia e imunoterapia.

A descoberta da tecnologia tem raízes nos Estados Unidos, onde o cientista japonês Hisataka Kobayashi, em 2011, e sua equipe no National Cancer Institute (NCI) identificaram acidentalmente o potencial terapêutico da abordagem. Inicialmente, a pesquisa visava apenas a visualização de células cancerígenas, mas os experimentos revelaram que os tumores desapareciam, levando à exploração do uso terapêutico. Atualmente, a Rakuten Medical desenvolve tanto um medicamento proprietário, o Akalux, quanto uma plataforma tecnológica, a Alluminox, para administrar a fototerapia. O diferencial reside na especificidade: o Akalux se liga ao receptor do fator de crescimento epidérmico nas células cancerígenas, marcando-as com um corante ativado por luz. A aplicação de luz vermelha, então, extermina seletivamente as células marcadas, promovendo um tratamento minimamente invasivo e preservando a qualidade de vida dos pacientes.

O modelo de negócios da Rakuten Medical segue a estratégia de "lâminas e cartuchos", onde a plataforma Alluminox é instalada gratuitamente nos hospitais, com cobrança apenas por uso. O lucro principal advém da venda do medicamento Akalux, uma tática comum para incentivar a adoção de novas tecnologias. Embora a operação japonesa da empresa seja lucrativa, a entidade global opera com prejuízo devido aos altos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Paralelamente à expansão nos EUA, Maeda planeja introduzir a tecnologia em mercados próximos ao Japão, como Taiwan, Macau, Singapura e Hong Kong, que reconhecem a aprovação regulatória japonesa do Akalux. Mercados como Macau são vistos como portas de entrada para a China continental, permitindo a coleta de dados populacionais chineses para futuras negociações e comercialização do produto no país. A Rakuten Medical também mira mercados emergentes no Sudeste Asiático, onde a tecnologia, descrita como acessível e fácil de implementar, pode oferecer um benefício significativo. A jornada da empresa é marcada pela inovação científica e uma estratégia de negócios focada na adoção e escalabilidade, com o mercado americano como principal objetivo a curto e médio prazo. As próximas etapas incluem a conclusão dos ensaios clínicos nos EUA e a obtenção da aprovação da FDA, abrindo caminho para a consolidação global da sua terapia fotoimunológica.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune