A Ri Happy, maior rede de varejo de brinquedos do Brasil, iniciou um movimento estratégico para redefinir o papel de suas lojas físicas. A companhia está reduzindo o espaço dedicado a estoques para implementar áreas de entretenimento e serviços sob a nova marca “Divertudo”. O projeto-piloto, já em andamento em 13 unidades, tem uma loja modelo no MorumbiShopping, em São Paulo.
Segundo reportagem do InfoMoney, a iniciativa é uma resposta direta às mudanças estruturais impostas pelo e-commerce ao varejo tradicional. A tese da Ri Happy é que, ao transformar a loja em um destino para a brincadeira e não apenas para a compra, é possível aumentar a frequência de visitas e o tempo de permanência — métricas cruciais na era digital.
A nova métrica: do estoque ao tempo
Os resultados iniciais do projeto são expressivos. Com uma redução média de 9% nos estoques, as lojas-teste viram a recorrência de visitas aumentar 2,5 vezes e o tempo médio de permanência saltar de 11 para 42 minutos. O efeito mais contraintuitivo foi o impacto nas vendas: a receita por metro quadrado cresceu 77%, a receita total subiu 2,5% e a margem Ebitda ganhou 5,5 pontos percentuais. Como resume o CEO Thiago Rebello, “nosso ativo deixa de ser o estoque e passa a ser o tempo”.
A leitura aqui é que a Ri Happy aplica uma cartilha de sobrevivência do varejo que troca a eficiência de inventário pela captura da atenção do cliente. A estratégia de transformar o ponto de venda em um centro de experiência não é nova, mas sua aplicação no setor de brinquedos tem uma aderência natural. O objetivo é claro: dar ao consumidor um motivo para sair de casa que o clique da compra online não pode oferecer.
A dupla aposta: loja e delivery
O plano não se limita à reinvenção do espaço físico. A Ri Happy está usando sua capilaridade de cerca de 300 lojas como um trunfo logístico para o digital. A empresa fortaleceu parcerias com iFood, Rappi e outros para oferecer entregas em até três horas, transformando cada loja em um pequeno centro de distribuição. A margem de contribuição dessa modalidade, segundo a empresa, é quase o dobro da venda tradicional.
O movimento desenha uma estratégia omnichannel completa. Enquanto a experiência na loja visa criar um destino e fortalecer a marca, a infraestrutura física serve de base para um e-commerce mais ágil e competitivo. A empresa também planeja retornar a marketplaces como Shopee, Magalu e até o TikTok Shop, indicando que a batalha pela atenção do consumidor será travada em todas as frentes.
A Ri Happy aposta que a brincadeira pode impulsionar a venda. A estratégia “Divertudo” não pretende superar o varejo, mas sim alimentá-lo, com uma meta de contribuição de até 20% da receita em algumas unidades. O desafio será executar essa dupla transformação — de loja em destino e de estoque em hub logístico — de forma coesa e rentável.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





