O Brasil se tornou o segundo maior alvo global para o roubo de cookies de navegador, com 2,83 bilhões de unidades comprometidas em um ano. O dado alarmante vem de uma nova pesquisa da empresa de cibersegurança NordVPN, que analisou um volume histórico de mais de 52 bilhões de cookies roubados por malwares do tipo infostealer.

A escala do problema sinaliza uma mudança tática fundamental no cibercrime. O foco dos invasores não é mais apenas a senha, mas a sessão de login ativa, contida nos cookies. Ao roubar essa "chave digital", um criminoso pode assumir o controle de uma conta sem precisar de credenciais, contornando até mesmo a autenticação de dois fatores. A posição do Brasil no pódio dessa modalidade expõe uma vulnerabilidade crítica no ecossistema digital do país.

A chave, não o cofre

A análise da NordVPN mostra que os cookies apareceram 4,6 vezes mais do que todos os outros tipos de dados roubados somados, incluindo senhas, arquivos e informações de pagamento. A razão é a eficiência: em vez de tentar arrombar o cofre (a conta protegida por senha), os criminosos estão roubando a chave que já está na fechadura. Essa técnica, conhecida como sequestro de sessão, é devastadoramente simples.

Contrariando a expectativa de que o alvo principal seriam contas bancárias, os dados mais visados são de plataformas de uso diário. Google, com 11,8 milhões de registros, lidera a lista, seguido por Facebook (8,1 milhões) e Microsoft (7,8 milhões). Contas de entretenimento como YouTube e Netflix também são valiosas, mostrando que o objetivo é o acesso em si, seja para roubo de identidade, disseminação de fraudes ou venda dos acessos em mercados clandestinos.

A nova linha de frente da segurança

O fenômeno não é exclusivo do Brasil. A Índia lidera o ranking global, com 4,68 bilhões de cookies roubados, enquanto Estados Unidos, Indonésia e Filipinas completam o top 5. A geografia do risco sugere uma correlação com mercados digitais de grande volume e rápida expansão, onde a disseminação de malware pode encontrar terreno fértil.

O mais preocupante, segundo o estudo, é que mais de 96% dos dispositivos infectados possuíam softwares de segurança ativos. Isso demonstra que a proteção tradicional, focada em prevenção, é insuficiente. A nova linha de frente da cibersegurança se deslocou para a velocidade de reação do usuário. A capacidade de invalidar uma sessão roubada rapidamente é o que pode mitigar o dano.

Para os especialistas da NordVPN, a defesa agora depende de uma higiene digital mais ativa. Encerrar as sessões regularmente em todos os dispositivos, limpar o cache do navegador e monitorar acessos suspeitos tornaram-se ações essenciais. O roubo de cookies transfere uma parte significativa da responsabilidade da plataforma para o comportamento do usuário, exigindo um novo nível de vigilância em um ambiente onde a autenticação já não é garantia de segurança.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside