Se a eleição para o governo de São Paulo fosse hoje, Tarcísio de Freitas (Republicanos) seria reeleito no primeiro turno com 52% dos votos. É o que aponta uma nova pesquisa do instituto Real Time Big Data, divulgada nesta segunda-feira. O ex-ministro da Fazenda e principal adversário, Fernando Haddad (PT), aparece com 35% das intenções de voto.

Os números, reportados inicialmente pelo Money Times, oferecem mais do que uma fotografia do momento. Eles sinalizam a consolidação de um projeto político e a solidificação de São Paulo como o principal bastião da oposição ao governo federal. A vantagem de Tarcísio não é um fenômeno isolado, mas o reflexo de um alinhamento mais profundo do eleitorado paulista.

A fortaleza da direita paulista

A força de Tarcísio no estado espelha-se na corrida presidencial. Na mesma pesquisa, o senador Flávio Bolsonaro (PL) lidera a disputa pelo Planalto em São Paulo, com 38% das intenções de voto, contra 33% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Num eventual segundo turno, a vantagem se mantém: 49% para Bolsonaro contra 44% para Lula. A leitura é que o eleitorado paulista cristalizou uma identidade de oposição ao PT, que beneficia tanto o governador quanto o candidato presidencial do mesmo campo ideológico.

A gestão de Tarcísio, com foco em uma agenda de obras e concessões e um perfil técnico, parece ter encontrado ressonância, garantindo uma base de apoio que transcende o núcleo bolsonarista. Ele consegue navegar entre a moderação na gestão e a fidelidade ao seu campo político, uma combinação que, até agora, se mostra eficaz para neutralizar a oposição no estado mais rico do país.

O desafio do PT em território hostil

Para o Partido dos Trabalhadores, o cenário é desafiador. Os 36% de Haddad em uma simulação de segundo turno contra 54% de Tarcísio indicam que a tarefa vai além de apresentar um candidato competitivo. Exige a reconstrução de uma ponte com um eleitorado que já foi uma base importante para o partido e hoje se mostra refratário. A dificuldade não está apenas na popularidade do atual governador, mas em furar a bolha de um sentimento anti-PT que parece bem estabelecido.

Com uma margem de erro de dois pontos percentuais, a pesquisa oferece um retrato claro do tamanho do desafio. Enquanto o campo da direita demonstra coesão em torno de seus principais nomes, a esquerda e o centro precisam encontrar uma narrativa capaz de reverter uma tendência que, a dois anos da eleição, parece bastante sólida.

O pleito de 2026 ainda está distante, e o cenário político é fluido. Contudo, os dados atuais posicionam Tarcísio não apenas como franco favorito à reeleição, mas como uma figura central na articulação da direita em escala nacional. A questão que se impõe é se o PT e seus aliados encontrarão uma estratégia para desmontar essa fortaleza ou se São Paulo servirá de plataforma de lançamento para o projeto presidencial da oposição.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times