Tyra Banks, a mente por trás do fenômeno 'America's Next Top Model', zerou suas redes sociais para lançar uma nova empreitada: uma newsletter no Substack intitulada 'The World of Too Much'. O anúncio, feito durante o Fast Company Innovation Festival, marca uma ruptura deliberada com as plataformas tradicionais.
Segundo reportagem da Fast Company, a empresária disse se sentir 'restringida' pelos algoritmos, que priorizam o engajamento em detrimento da expressão autêntica. O movimento não é um capricho, mas um cálculo estratégico que espelha uma tendência maior: figuras públicas buscando canais diretos para controlar a própria narrativa e monetização, longe dos intermediários do Vale do Silício.
A fuga do feed
A decisão de Banks é um sintoma da crescente insatisfação com o modelo de mídia social baseado em publicidade e viralidade. Ao migrar para o Substack, ela troca o alcance massivo, porém volátil, do Instagram e TikTok por uma audiência potencialmente menor, mas mais engajada e disposta a pagar por conteúdo. A promessa é de um espaço sem filtros, que ela descreve como 'o parque de diversões da minha mente', onde escreverá cada palavra.
Para uma empresária que já fundou uma produtora, foi para Harvard Business School e publicou um romance, a newsletter é mais um exercício de construção de marca e propriedade intelectual (IP). Trata-se de converter a fama, construída em mídias de massa, em um ativo de mídia direto ao consumidor, um dos pilares da economia da criação.
O risco calculado do 'excesso'
O nome da newsletter — 'O Mundo do Excesso' — é, ao mesmo tempo, uma promessa e um risco. Banks é conhecida pelo 'extra', mas ela mesma admite que suas ideias são, por vezes, 'cedo demais'. Seu romance distópico de 2010, Modelland, fracassou no lançamento por ser 'longo demais', apenas para se tornar um item de culto e explodir no TikTok anos depois, uma plataforma que ela agora abandona.
A ironia aponta para a tensão central de sua nova aposta. Ao se libertar das amarras do algoritmo, Banks também perde sua capacidade de validação e distribuição em escala. O desafio será encontrar o equilíbrio entre a visão criativa sem concessões e a disciplina de produto que um modelo de assinatura exige. A própria Banks resume o dilema: ouvir especialistas poderia lhe render um 'patrimônio líquido maior', mas, em troca, ela 'valeria menos'.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company





