A University of the Arts London (UAL), uma das mais prestigiadas do mundo em sua área, decidiu transformar um prosaico apartamento de dois quartos para professores visitantes em um vibrante arquivo de design. Localizado no campus do Chelsea College of Arts, o Atterbury Flat foi totalmente reimaginado como uma vitrine e residência funcional, onde cada objeto, do mobiliário aos utensílios de cozinha, é uma peça criada por alunos e egressos da instituição.
A iniciativa, revelada durante o London Design Festival e reportada pela revista Dezeen, é mais do que uma simples reforma de interiores. Trata-se de um manifesto prático que questiona o que uma instituição de ensino deve colecionar e valorizar. O projeto propõe um modelo alternativo ao tradicional acervo de belas-artes, transformando o design aplicado e funcional em protagonista.
Um acervo que se usa
A ideia partiu da professora Zoë Tynan-Campbell, que viu no espaço uma oportunidade para corrigir uma lacuna institucional. Enquanto a UAL possuía uma coleção de arte focada em pinturas e fotografias, o vasto universo de objetos, móveis e produtos desenvolvidos em seus seis colleges era amplamente ignorado. O apartamento, antes um "espaço em branco", tornou-se a solução para abrigar e dar vida a essas criações.
O processo de curadoria envolveu mais de 400 estudantes e graduados, resultando na aquisição de 117 obras na primeira fase. As peças vão desde um banco que muda de cor com o toque a uma mesa de centro conceitual feita com 160 quilos de papel empilhado. Ao lado de itens únicos, figuram produtos já disponíveis no mercado, como sabonetes recarregáveis e panelas de argila, demonstrando a viabilidade comercial do talento formado na universidade.
Confiança radical no talento interno
Um dos aspectos mais significativos do projeto é o modelo de comissionamento. Cerca de 92% do orçamento total, ou £61.686, foi pago diretamente aos estudantes e recém-formados por seus trabalhos. Tynan-Campbell descreve a abordagem como um "ato de confiança radical", optando por investir no ecossistema interno em vez de contratar agências ou designers externos. Cada criador, segundo ela, correspondeu à altura da oportunidade.
A iniciativa cria um ciclo virtuoso: a universidade não apenas forma, mas também se torna o primeiro cliente e guardião do trabalho de seus alunos. O apartamento continua a servir como residência para acadêmicos visitantes, que agora podem tomar café em xícaras de cerâmica feitas por ex-alunos ou assinar o livro de visitas com um lápis gigante projetado para a ocasião.
O Atterbury Flat não é um museu estático, mas uma coleção em constante evolução que serve como um poderoso estudo de caso. A UAL demonstra que os ativos mais valiosos de uma instituição podem estar em seus próprios corredores, bastando um novo olhar para transformá-los em uma plataforma de inovação e um testemunho vivo da criatividade que ela fomenta.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen





